IA já está a decidir quem é contratado. Especialistas querem definir as regras para garantir transparência

A utilização de Inteligência Artificial nos processos de recrutamento está a crescer rapidamente, mas continua a não existir um consenso sobre os limites da tecnologia, o papel dos recrutadores ou os critérios que devem orientar a sua utilização.

Human Resources
30 de Setembro 2026 | 10:40
IA já está a decidir quem é contratado. Especialistas querem definir as regras para garantir transparência

O debate surge numa altura em que os principais líderes das empresas de IA discutem a necessidade de estabelecer mecanismos de supervisão e segurança para o desenvolvimento desta tecnologia. No entanto, enquanto as preocupações sobre os potenciais riscos futuros dominam a conversa pública, o impacto da IA nos processos de recrutamento já é uma realidade para empresas e candidatos, noticia a ERE.

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Segundo um estudo realizado pela Greenhouse, 63% dos candidatos afirmam já ter sido entrevistados por sistemas de IA. Entre estes, 70% diz não ter sido informado previamente de que seria avaliado por uma máquina e 38% admite ter desistido de um processo de recrutamento devido a essa experiência. Apenas 21% acredita que os empregadores utilizam esta tecnologia de forma responsável.

A questão ganha particular relevância porque as decisões relacionadas com a contratação têm impacto directo na vida profissional e no sustento de milhões de pessoas. Apesar disso, o sector do recrutamento permanece excessivamente focado nas capacidades e promessas da IA, sem discutir de forma aprofundada qual deve ser o equilíbrio entre intervenção humana e automatização.

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Um dos problemas identificados é a inexistência de normas profissionais amplamente reconhecidas. O recrutamento carece actualmente de uma associação profissional forte capaz de definir orientações comuns para a utilização destas tecnologias, deixando espaço para abordagens muito distintas entre fornecedores de software de recrutamento.

A diversidade de práticas é evidente. Algumas plataformas garantem que os algoritmos não classificam nem hierarquizam candidatos através de pontuações únicas, apresentando apenas categorias ou recomendações para apoio à decisão. Outras recorrem a sistemas de pontuação ou categorização dos candidatos, ainda que afirmem não substituir a decisão humana. Existem igualmente exemplos de processos praticamente automatizados, nos quais a contratação ocorre sem qualquer intervenção directa de recrutadores.

Embora muitas empresas tecnológicas promovam auditorias independentes aos seus sistemas de IA para demonstrar conformidade legal e ausência de enviesamentos, essas avaliações continuam a seguir metodologias diferentes e não assentam num padrão universal. Na prática, funcionam também como instrumentos de credibilização comercial junto dos clientes.

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O avanço dos chamados agentes de IA torna o tema ainda mais complexo. Se tradicionalmente eram os profissionais de recrutamento a definir os critérios de avaliação, começam agora a surgir sistemas capazes de criar automaticamente requisitos e parâmetros de correspondência entre funções e candidatos.

Perante este cenário, a profissão deve discutir urgentemente normas comuns para a utilização da IA no recrutamento. Entre os princípios considerados essenciais estão a obrigação de os critérios de avaliação serem definidos por pessoas e a necessidade de os candidatos serem claramente informados sempre que a IA participe na sua avaliação.

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Segundo esta perspectiva, a questão já não é saber se a IA fará parte do recrutamento do futuro, mas sim estabelecer de que forma será utilizada, quais os limites da sua intervenção e como garantir transparência e confiança em decisões que podem determinar o acesso ao emprego.

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