IA pode obrigar 11 milhões de trabalhadores a mudar de profissão até 2035, alerta McKinsey

De acordo com um novo relatório do McKinsey Global Institute, o equivalente a 7% da força de trabalho actual dos Estados Unidos poderá ser obrigado a mudar de profissão.

Human Resources
2 de Outubro 2026 | 09:10
IA pode obrigar 11 milhões de trabalhadores a mudar de profissão até 2035, alerta McKinsey

A inteligência artificial e a automação deverão desencadear uma transformação profunda no mercado de trabalho norte-americano durante a próxima década. De acordo com um novo relatório do McKinsey Global Institute, cerca de 11 milhões de trabalhadores, o equivalente a 7% da força de trabalho actual dos Estados Unidos, poderão ser obrigados a mudar de profissão até 2035.

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O estudo estima que a automação poderá substituir o equivalente a 36 milhões de postos de trabalho ao longo dos próximos dez anos. Ainda assim, o impacto não será necessariamente negativo em termos líquidos: o crescimento de sectores impulsionados pela IA e a expansão geral da economia deverão gerar mais de 40 milhões de novas oportunidades de emprego no mesmo período.

Segundo os investigadores, cerca de 25 milhões de trabalhadores cujas funções venham a ser afectadas pela automação poderão permanecer nas suas actuais áreas de actividade, uma vez que o crescimento dos respectivos sectores deverá absorver grande parte da pressão provocada pela mudança tecnológica. No entanto, milhões de profissionais terão de procurar novas ocupações, podendo esse número variar entre seis e 16 milhões, consoante a velocidade de adopção da automação.

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Para a McKinsey, o maior desafio da próxima década não será a falta de empregos, mas a capacidade de os trabalhadores transitarem entre profissões. O relatório refere mesmo que esta poderá ser a maior e mais prolongada transformação da força de trabalho na história dos Estados Unidos. Para responder às necessidades de realocação de talento, será necessário que cerca de 770 mil pessoas mudem de grupo ocupacional todos os anos, um ritmo 3,6 vezes superior à média histórica.

A pressão não será sentida de forma igual por todos. Mais de 75% dos trabalhadores que poderão necessitar de mudar de profissão estão concentrados em três áreas: apoio administrativo e de escritório, retalho e vendas, e transportes e logística. O estudo conclui ainda que os trabalhadores com salários mais baixos têm uma probabilidade 7,6 vezes superior de necessitarem de efectuar esta transição quando comparados com os profissionais mais bem remunerados. Já os trabalhadores sem formação superior enfrentam um risco cerca de 1,8 vezes maior do que aqueles que possuem uma licenciatura.

As oportunidades de transição também não serão iguais para todos. Apenas cerca de um em cada sete trabalhadores dispõe de um percurso relativamente directo para uma nova profissão, exigindo pouca ou nenhuma requalificação e sem perda salarial significativa. Quatro em cada dez terão de investir em processos relevantes de requalificação, enquanto quase metade enfrenta obstáculos mais complexos, incluindo lacunas de competências, exigência de certificações ou outras barreiras de acesso.

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As credenciais académicas e profissionais assumem, aliás, um papel central neste cenário. O relatório conclui que aproximadamente 85% das profissões com maior potencial de crescimento exigem algum tipo de qualificação, certificação ou credencial profissional.

No que respeita às competências mais valorizadas, a procura por conhecimentos de inteligência artificial aumentou cerca de 11 vezes entre 2022 e 2026. A adaptabilidade registou um crescimento de procura de cinco vezes, enquanto características como resiliência, curiosidade e vontade de aprender triplicaram a sua relevância nas ofertas de emprego analisadas.

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Mais do que eliminar empregos, a IA está a acelerar a necessidade de mobilidade profissional, de requalificação contínua e de desenvolvimento de competências capazes de acompanhar a evolução tecnológica.

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