IA poderá gerar até 615 mil milhões de dólares anuais no sector do clima e sustentabilidade

Um estudo da Boston Consulting Group e da Temasek revela que a Inteligência Artificial pode desbloquear entre 580 e 615 mil milhões de dólares por ano até 2028, sobretudo através da eficiência industrial, avaliação do risco climático e gestão de redes eléctricas.

Human Resources
6 de Agosto 2026 | 20:55
IA poderá gerar até 615 mil milhões de dólares anuais no sector do clima e sustentabilidade

A Inteligência Artificial (IA) está a afirmar-se como um motor de criação de valor nos sectores do clima e da sustentabilidade, com potencial para gerar globalmente entre 580 e 615 mil milhões de dólares por ano até 2028. É esta a conclusão de um estudo da Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Temasek, empresa global de investimento, que destaca novas oportunidades para investidores e empresas.

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O relatório “The Private Capital Opportunity in AI-Enabled Climate and Sustainability Sectors” identifica que a maior parte do valor criado pela IA não reside apenas nas áreas tradicionais da transição energética, mas sobretudo na aplicação da tecnologia para aumentar a eficiência de sistemas complexos, gerando retorno económico e impacto ambiental ou social mensurável.

Entre as áreas prioritárias, a maior oportunidade económica encontra-se na eficiência industrial, com um potencial estimado de 300 mil milhões de dólares por ano. Segundo o estudo, a aplicação de IA em manutenção preditiva, optimização de processos, gestão energética, controlo de qualidade e segurança laboral pode simultaneamente reduzir custos, emissões e desperdício, ao mesmo tempo que reforça a produtividade e a resiliência operacional em sectores intensivos em recursos.

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A segunda maior oportunidade está no uso da IA para antecipar e avaliar melhor os riscos físicos associados às alterações climáticas, especialmente nos sectores dos seguros, infra-estruturas, energia e logística, com potencial para gerar cerca de 75 mil milhões de dólares anuais até 2028. Nesta área, a IA cruza múltiplas fontes de dados para gerar avaliações de risco mais precisas, auxiliando seguradoras, empresas de serviços públicos, operadores logísticos, investidores e entidades públicas a antecipar perdas e reforçar a resiliência.

Gestão inteligente de redes eléctricas e outras áreas estratégicas

Relativamente à transição energética, o estudo estima que a gestão inteligente de redes eléctricas, armazenamento e flexibilidade do sistema poderá gerar cerca de 32 mil milhões de dólares por ano. A IA permite optimizar o despacho de baterias, melhorar a monitorização de activos, reduzir congestionamentos e integrar mais energias renováveis na rede, contribuindo para sistemas eléctricos mais eficientes, fiáveis e rentáveis.

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O relatório destaca ainda duas áreas de elevada relevância estratégica: a educação inclusiva, com potencial de 13 mil milhões de dólares, onde a IA pode personalizar a aprendizagem, reduzir tarefas administrativas e ampliar o acesso ao ensino em contextos de escassez de recursos; e a descoberta de materiais, estimada em 3 mil milhões de dólares, que pode acelerar o desenvolvimento de soluções críticas para baterias, captura de carbono, agricultura e biotecnologia, impactando a velocidade da transição sustentável.

«O valor da IA aplicada à sustentabilidade vem da sua utilização em problemas muito concretos: eficiência industrial, redução de custos e de desperdício, avaliação do risco climático, optimização de redes eléctricas e armazenamento, descoberta de materiais e educação inclusiva. A grande mudança é que, com a IA, sustentabilidade e performance empresarial deixam de ser agendas separadas: passam a reforçar-se mutuamente. As empresas que conseguirem combinar dados proprietários, conhecimento operacional e execução disciplinada estarão melhor posicionadas para capturar esta oportunidade e acelerar impacto positivo em escala», afirma Carlos Elavai, Managing director & partner da BCG em Lisboa.

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O estudo sublinha que a lógica económica é clara: quando a IA reduz desperdício de energia, materiais ou tempo em sistemas complexos, os resultados financeiros e de sustentabilidade tendem a evoluir na mesma direcção. Esta ligação estrutural redefine o perímetro do investimento sustentável e abre novas teses de crescimento para investidores e empresas.

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O relatório salienta que esta oportunidade abrange todo o universo do capital privado. Empresas nativamente orientadas para a IA poderão atrair investimento de capital de risco e growth equity, enquanto organizações que integrem a IA nas suas operações, produtos ou activos físicos poderão tornar-se alvos relevantes para estratégias de aquisição com recurso a capital privado. Investidores em infra-estruturas poderão beneficiar de activos como redes, sistemas de armazenamento, centros de dados e operações industriais cuja rentabilidade melhora com a integração de IA.

Distribuição do valor criado e desafios à adopção

Um ponto central do estudo é que a maior parte do valor criado não ficará do lado dos fornecedores de tecnologia. Na maioria dos casos, serão as empresas que adoptam IA nos seus processos — incluindo utilities, seguradoras, fabricantes e operadores de infraestruturas — a capturar a maior fatia do benefício, através de menores custos, melhor utilização de activos, novas receitas e decisões mais precisas. Segundo o estudo, os fornecedores de soluções de IA tenderão a captar apenas 15% a 25% do valor total criado.

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Apesar do potencial, o relatório alerta para vários factores que poderão atrasar a adopção da tecnologia, como a confiança nos modelos, limitações na qualidade e disponibilidade de dados, perda de desempenho ao longo do tempo, incerteza regulatória e questões de responsabilidade em decisões críticas. Ainda assim, a pressão sobre custos energéticos, riscos climáticos, eficiência de recursos e resiliência operacional deverá continuar a impulsionar a procura por soluções de IA aplicadas ao clima e à sustentabilidade.

O estudo conclui que a IA está a abrir novas oportunidades no investimento sustentável, mais do que uma tendência tecnológica, representando uma nova forma de responder a desafios de eficiência, risco e produtividade, com benefícios financeiros e de sustentabilidade simultaneamente. Num contexto de maior pressão sobre custos, recursos e resiliência operacional, a capacidade de aplicar IA com dados de qualidade e boa execução está a tornar-se um factor decisivo na próxima fase da transição sustentável.

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