IA poderá substituir estes profissionais altamente qualificados em grande parte do trabalho, dizem especialistas

Um artigo publicado por especialistas norte-americanos alimenta um dos grandes debates da actualidade: até onde poderá a tecnologia substituir profissionais altamente qualificados.

Human Resources
4 de Setembro 2026 | 09:40
IA poderá substituir estes profissionais altamente qualificados em grande parte do trabalho, dizem especialistas

A Inteligência Artificial (IA) poderá ultrapassar os médicos humanos em cinco funções centrais da prática clínica até 2030.

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Segundo a Tekimobile, os autores, entre os quais Ezekiel Emanuel e Vinod Khosla, defendem que sistemas de IA totalmente autónomos têm potencial para superar tanto médicos como equipas compostas por médicos apoiados por IA em tarefas como a recolha de informação clínica, o diagnóstico, a selecção de exames, a definição de tratamentos e a gestão de doenças crónicas.

A posição dos investigadores vai além da defesa da tecnologia como ferramenta de apoio. No artigo, argumentam que a intervenção humana pode, em determinados processos, reduzir a eficácia dos sistemas automatizados, devendo os profissionais assumir sobretudo funções de supervisão, gestão de excepções e tomada de decisões mais complexas ou eticamente sensíveis.

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Nem tudo pode ser automatizado

Apesar das previsões ambiciosas, vários estudos citados pelos autores apontam para limitações relevantes da IA no sector da saúde. O consenso mais moderado defende que cerca de 30% das actividades médicas poderão ser automatizadas nos próximos anos, sobretudo aquelas que seguem processos padronizados e repetitivos.

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Áreas como a análise de imagens médicas, triagem de casos, documentação clínica e comunicação escrita apresentam já níveis elevados de desempenho. No entanto, continuam a existir dificuldades significativas em contextos que exigem exame físico, capacidade de adaptação a situações não previstas, execução de procedimentos e responsabilização legal pelas decisões tomadas.

A conclusão de várias análises é que a tecnologia tenderá a assumir blocos específicos de trabalho, mas continuará a necessitar de supervisão humana, sobretudo nos casos mais complexos.

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O impacto vai além da medicina

A discussão sobre o futuro da profissão médica tornou-se também um símbolo das transformações que a IA poderá provocar no mercado de trabalho em geral. Segundo o artigo, Ezekiel Emanuel admite hoje como plausível uma previsão que anteriormente considerava excessiva: a possibilidade de os algoritmos realizarem a maioria das tarefas médicas durante a próxima década.

Nesse contexto, ganha destaque a ideia defendida por Bill Gates de que algumas actividades poderão vir a ser legalmente reservadas a seres humanos. O objectivo seria preservar funções consideradas essenciais do ponto de vista social, mesmo que a tecnologia consiga executá-las com níveis comparáveis ou superiores de eficiência.

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Mais do que diagnosticar uma doença, essas funções incluem ajudar os pacientes a compreender a informação recebida, enquadrar decisões difíceis, interpretar riscos e oferecer acompanhamento humano em momentos de maior vulnerabilidade.

 

Chatbots melhoram, mas continuam a errar

A evolução acelerada dos modelos de IA já está a alterar a forma como os cidadãos procuram informação sobre saúde. Um estudo referido no artigo avaliou respostas de vários modelos generativos a mais de duas centenas de perguntas médicas e concluiu que cerca de 76% das respostas eram clinicamente correctas.

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Ainda assim, mais de 20% continham erros, um resultado que os investigadores consideram preocupante, sobretudo quando as respostas são apresentadas com elevado grau de confiança e podem influenciar decisões relacionadas com a saúde.

Os resultados sugerem que, embora os sistemas sejam cada vez mais competentes em tarefas específicas, continuam longe de poder operar sem supervisão profissional em contextos de maior risco.

 

As competências humanas que continuam difíceis de substituir

Entre as funções apontadas como mais resistentes à automação surgem três grandes grupos de actividades. O primeiro inclui trabalho manual altamente especializado, como cirurgias, procedimentos invasivos e cuidados intensivos, onde a coordenação motora, o tacto e a capacidade de improvisação continuam a ser determinantes.

O segundo envolve profissões assentes na relação humana, incluindo medicina familiar, psiquiatria e cuidados paliativos. Nestes contextos, factores como confiança, empatia, comunicação e interpretação do contexto pessoal do doente fazem parte integrante do próprio processo terapêutico.

Por fim, permanecem difíceis de automatizar as funções de coordenação, julgamento e responsabilização. Alguém terá de decidir como utilizar as recomendações geradas pela IA, assumir a responsabilidade pelas escolhas efectuadas e responder perante doentes, organizações e entidades reguladoras.

 

O verdadeiro desafio poderá ser a gestão da transição

Para além das questões tecnológicas, os autores defendem que o debate está cada vez mais relacionado com decisões de política pública, regulamentação e organização do trabalho. Se a IA vier efectivamente a superar os profissionais humanos em várias tarefas técnicas, as organizações terão de decidir quais as actividades que devem permanecer sob responsabilidade humana e qual o valor atribuído à dimensão relacional do trabalho.

No sector da saúde, como noutras áreas do conhecimento, a questão central poderá deixar de ser aquilo que a IA consegue fazer e passar a ser aquilo que a sociedade deseja continuar a confiar aos seres humanos.

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