Ao longo de diversos painéis temáticos, na Conferência Imagi_nação, especialistas de áreas distintas, da inovação tecnológica à cultura, da intervenção social à liderança empresarial, partilharam experiências, perspectivas e projectos que demonstram o potencial de transformar comunidades e territórios através de iniciativas com impacto real, procurando inspirar a construção de um futuro guiado pela coragem, propósito e imaginação.
A sessão de abertura ficou a cargo de João Manuel Nabeiro, chairman do Grupo Nabeiro, que salientou a importância de promover um espaço de reflexão assente nos princípios que sempre orientaram o grupo, partilhando, entre outras, uma das frases mais célebres de Rui Nabeiro: «Se todos quiséssemos, o mundo seria maravilhoso, o mundo seria extraordinário.»
Liderar com humanidade
Sob o tema “Humanidade”, a primeira sessão contou com David Simas, director executivo de Investigação e Impacto da Emerson Collective e ex-presidente da Fundação Obama; e Filipe Santos, dean da Católica-Lisbon.
Num discurso marcado pela emoção e por um forte apelo à dimensão humana da liderança, David Simas realçou o papel das ligações humanas na construção do indivíduo, recordando o percurso da sua família: «Deixaram tudo para trás, por acreditarem que a vida poderia ser diferente, não só para eles, mas também para os filhos que ainda nem tinham», referiu, estabelecendo um paralelismo com os valores associados a Rui Nabeiro.
Partilhou ainda uma história que ilustra a visão de liderança de Rui Nabeiro: o apoio prestado a um jovem num momento crítico, após um acidente grave, um gesto que, segundo David Simas, representa uma liderança que ultrapassa a lógica do negócio. Numa sociedade cada vez mais desconectada, o profissional defendeu que é essencial reforçar a ligação entre pessoas, independentemente da origem, género ou contexto.
Juntando-se à sessão, Filipe Santos reflectiu, juntamente com David Simas, a importância do sonho como ponto de partida para jovens empreendedores imaginarem um mundo diferente, destacando a necessidade de sair da zona de conforto, assumindo que cada iniciativa, por menor que pareça, representa uma oportunidade de gerar impacto.
Questionado sobre como transformar sonhos em projectos concretos, o director executivo de Investigação e Impacto da Emerson Collective sublinhou a importância de criar pontos de acesso e construir confiança, salientando que cuidar dos outros é essencial para criar valor e fortalecer comunidades. Defende ainda a necessidade de estender o cuidado para além da família, incluindo amigos e colegas de trabalho, lembrando que a força de uma organização depende de todos: «Se os mais distantes falham, todos somos afectados.»
Propósito, coragem e imaginação
Seguiu-se o debate com o mote “Comunidade e Território”, que contou com Alexandra Machado, fundadora e CEO da Girl MOVE Academy; Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria; Filipa Mourão, coordenadora de Angariação de Fundos e Envolvimento na Associação Salvador; e José Pedro Cobra, advogado, voluntário, orador e storyteller, que teve a responsabilidade de moderar a conversa.
Partindo do mote da conferência, “Pensar o futuro com propósito, coragem e imaginação”, a discussão começou pelo eixo do propósito. Filipa Mourão explicou que a organização nasceu de uma experiência pessoal e transformadora: o acidente do fundador Salvador Mendes de Almeida, aos 16 anos, que resultou numa lesão medular. O que poderia ter sido um fim, tornou-se, na realidade, o início de um projecto com impacto social.
A responsável revelou que o principal obstáculo não era a deficiência motora em si, mas sim os bloqueios e barreiras sociais, físicas, culturais e atitudinais que precisavam de ser superados. Deste modo, o propósito da associação centra-se na «transformação em conjunto», com a inclusão de pessoas com deficiência motora, garantindo-lhes o acesso pleno à vida.
Por seu turno, Alexandra Machado esclareceu que o projecto Girl MOVE Academy surgiu a partir da inquietação com as desigualdades profundas em Moçambique, sobretudo no acesso à educação para as mulheres, uma realidade que a levou a questionar qual o legado que poderia deixar no mundo. Dessa pergunta nasceu o seu propósito: contribuir para formar uma nova geração de mulheres líderes, capazes de transformar o seu país.
Numa perspectiva institucional, Gonçalo Lopes abordou o propósito na vida pública, defendendo que liderar significa servir. O autarca defendeu que quem exerce funções públicas deve actuar como agente de mudança, colocando as pessoas no centro das decisões. Destacou ainda a importância de agir rapidamente em situações de crise, em prol da Humanidade.
Leia o artigo na íntegra na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














