A Check Point Research (CPR), equipa de investigadores da Check Point® Software Technologies Ltd., revelou no mais recente relatório de inteligência, que as instituições de ensino e investigação em território nacional registaram, em média, 5324 ataques por semana por organização nos últimos seis meses, um valor significativamente acima da média global, que se situa nos 4367 ataques semanais.
De acordo com a Check Point Research estas conclusões reflectem uma escalada preocupante na sofisticação e frequência dos ciberataques dirigidos a escolas, universidades e centros de investigação, colocando em causa não apenas a continuidade dos serviços académicos, mas também a protecção de dados sensíveis de alunos, professores e investigadores.
A nova vaga de ciberameaças afecta todas as regiões do globo, mas os dados nacionais destacam Portugal como um dos países mais pressionados por esta tendência. O relatório evidencia que o correio electrónico foi o principal vetor de infecção, responsável por 96% dos ficheiros maliciosos entregues no último mês.
O AgentTesla, um infostealer que recolhe credenciais e dados pessoais, lidera o ranking de malware mais detectado em instituições portuguesas, seguido de várias famílias de Remote Access Trojans (RATs), e do downloader FakeUpdates, que tem estado na base de múltiplas campanhas de intrusão.
Adicionalmente, 79% das organizações do sector educativo em Portugal foram impactadas por explorações do tipo Information Disclosure, que permitem a exfiltração de informação confidencial a partir de falhas de configuração ou software desactualizado.
O sector da educação enfrenta um leque cada vez mais diversificado de ameaças persistentes, que exploram tanto vulnerabilidades técnicas como humanas. As ameaças mais comuns utilizadas globalmente incluem:
· Phishing e engenharia social – Alunos, professores e colaboradores são alvos frequentes de campanhas de roubo de credenciais, através de emails enganosos, portais falsos e, mais recentemente, mensagens geradas por inteligência artificial. Estes ataques são frequentemente o primeiro passo para comprometer redes internas.
· Phishing por QR code (quishing) – Esta técnica emergente tira partido do uso frequente de códigos QR em eventos, aulas, formulários e processos administrativos. Os atacantes inserem links maliciosos que, ao serem digitalizados, encaminham os utilizadores para páginas falsas ou ficheiros com malware.
· Ransomware – Criminosos cifram sistemas críticos, desde plataformas de aprendizagem até bases de dados salariais, exigindo resgates em troca do restabelecimento do acesso. O impacto inclui paralisações operacionais, perda de tempo lectivo e custos elevados de recuperação.
· Acessos não autorizados – A multiplicidade de dispositivos, utilizadores e níveis de segurança torna as instituições vulneráveis a ataques que exploram palavras-passe fracas, software desactualizado e configurações incompletas em ambientes cloud.
A Check Point alerta que o sector da educação se tornou um alvo preferencial não só para cibercriminosos em busca de lucro, mas também para campanhas de espionagem e manipulação de dados, incluindo campanhas associadas a estados-nação.
Check Point recomenda medidas urgentes para protecção do sector:
· Adoptar soluções avançadas de cibersegurança, baseadas em inteligência artificial, capazes de detectar ameaças em tempo real;
· Reforçar a formação e sensibilização de estudantes, professores e funcionários administrativos, para reconhecer sinais de phishing e engenharia social;
· Aplicar princípios de Zero Trust e segmentação de rede, protegendo acessos e dispositivos em ambientes BYOD;
· Auditar e corrigir vulnerabilidades com regularidade, especialmente as associadas a fugas de informação;
· Definir planos de resposta e continuidade, com simulações regulares e envolvimento das direcções escolares.














