A ferramenta foi lançada durante a segunda edição do Universo Prepara, encontro dedicado à qualificação profissional dos imigrantes perante as mudanças provocadas pela inteligência artificial e pela transformação do mercado de trabalho.
De acesso gratuito, o painel reúne dados oficiais disponibilizados pela AIMA, Segurança Social, Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (GEP/MTSSS), Eurostat e Pordata.
O valor de 11,1 mil milhões de euros corresponde à diferença entre as contribuições pagas pelos trabalhadores estrangeiros e as prestações sociais recebidas pelos imigrantes ao longo dos dez anos analisados. Para dimensionar o montante, seria suficiente para pagar, durante um ano, a pensão média de velhice a cerca de 1,4 milhões de pessoas, tomando como referência o valor mensal de 676,95 euros registado em outubro de 2025.
«A comparação é apenas indicativa, porque as contribuições não ficam reservadas exclusivamente para o pagamento de pensões. Ainda assim, os números mostram que já não é possível discutir a sustentabilidade da Segurança Social e o pagamento das reformas sem considerar o contributo dos trabalhadores imigrantes», afirma Higor Cerqueira, fundador e director pedagógico do Prepara Portugal.
O levantamento revela ainda que o número de contribuintes estrangeiros aumentou 5,1 vezes entre 2015 e 2024, a um ritmo superior ao do crescimento da população estrangeira residente. Em todos os anos analisados, os valores pagos à Segurança Social superaram as prestações recebidas.
O painel foi apresentado num momento em que a imigração voltou a ocupar o centro do debate público português. A 31 de Agosto, o Presidente da República promulgou o diploma que altera os regimes de entrada, permanência e afastamento de estrangeiros e de concessão de asilo, depois de algumas normas terem sido submetidas à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional.
«A imigração é muitas vezes discutida a partir de perceções. Este painel ajuda a olhar para dados concretos, perceber onde os imigrantes estão a trabalhar e dimensionar o seu contributo para o país. Não elimina os desafios existentes, mas permite um debate mais informado», destaca Cerqueira.
Além das contribuições para a Segurança Social, a ferramenta permite acompanhar a evolução da população estrangeira, consultar as nacionalidades mais representadas e identificar os sectores e as regiões com maior presença de trabalhadores imigrantes.
Os dados mostram uma concentração mais elevada nas actividades administrativas e de apoio, no alojamento e restauração e na construção. Lisboa e Porto apresentam os maiores números absolutos, enquanto distritos como Beja, Faro e Setúbal revelam uma maior dependência proporcional das contribuições feitas por estrangeiros.
«Reunimos informações que estavam dispersas por diferentes fontes oficiais e transformámo-las numa ferramenta de consulta simples. O trabalho permitiu também que os alunos aplicassem conhecimentos de tratamento e análise de dados a uma questão que está a marcar a actualidade portuguesa», explica Pedro Stob, formador responsável pelo levantamento realizado pelos alunos do curso de Análise de Dados e TI Aplicado à Gestão.
















