Imigrantes geram saldo de 11,1 mil milhões de euros na Segurança Social

Um novo painel digital desenvolvido por alunos do Centro de Formação Prepara Portugal mostra que os trabalhadores estrangeiros deixaram um saldo líquido acumulado de 11,1 mil milhões de euros na Segurança Social entre 2015 e 2024.

Margarida Lopes
16 de Setembro 2026 | 07:50
Imigrantes geram saldo de 11,1 mil milhões de euros na Segurança Social

A ferramenta foi lançada durante a segunda edição do Universo Prepara, encontro dedicado à qualificação profissional dos imigrantes perante as mudanças provocadas pela inteligência artificial e pela transformação do mercado de trabalho.

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De acesso gratuito, o painel reúne dados oficiais disponibilizados pela AIMA, Segurança Social, Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (GEP/MTSSS), Eurostat e Pordata.

O valor de 11,1 mil milhões de euros corresponde à diferença entre as contribuições pagas pelos trabalhadores estrangeiros e as prestações sociais recebidas pelos imigrantes ao longo dos dez anos analisados. Para dimensionar o montante, seria suficiente para pagar, durante um ano, a pensão média de velhice a cerca de 1,4 milhões de pessoas, tomando como referência o valor mensal de 676,95 euros registado em outubro de 2025.

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«A comparação é apenas indicativa, porque as contribuições não ficam reservadas exclusivamente para o pagamento de pensões. Ainda assim, os números mostram que já não é possível discutir a sustentabilidade da Segurança Social e o pagamento das reformas sem considerar o contributo dos trabalhadores imigrantes», afirma Higor Cerqueira, fundador e director pedagógico do Prepara Portugal.

O levantamento revela ainda que o número de contribuintes estrangeiros aumentou 5,1 vezes entre 2015 e 2024, a um ritmo superior ao do crescimento da população estrangeira residente. Em todos os anos analisados, os valores pagos à Segurança Social superaram as prestações recebidas.

O painel foi apresentado num momento em que a imigração voltou a ocupar o centro do debate público português. A 31 de Agosto, o Presidente da República promulgou o diploma que altera os regimes de entrada, permanência e afastamento de estrangeiros e de concessão de asilo, depois de algumas normas terem sido submetidas à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional.

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«A imigração é muitas vezes discutida a partir de perceções. Este painel ajuda a olhar para dados concretos, perceber onde os imigrantes estão a trabalhar e dimensionar o seu contributo para o país. Não elimina os desafios existentes, mas permite um debate mais informado», destaca Cerqueira.

Além das contribuições para a Segurança Social, a ferramenta permite acompanhar a evolução da população estrangeira, consultar as nacionalidades mais representadas e identificar os sectores e as regiões com maior presença de trabalhadores imigrantes.

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Os dados mostram uma concentração mais elevada nas actividades administrativas e de apoio, no alojamento e restauração e na construção. Lisboa e Porto apresentam os maiores números absolutos, enquanto distritos como Beja, Faro e Setúbal revelam uma maior dependência proporcional das contribuições feitas por estrangeiros.

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«Reunimos informações que estavam dispersas por diferentes fontes oficiais e transformámo-las numa ferramenta de consulta simples. O trabalho permitiu também que os alunos aplicassem conhecimentos de tratamento e análise de dados a uma questão que está a marcar a actualidade portuguesa», explica Pedro Stob, formador responsável pelo levantamento realizado pelos alunos do curso de Análise de Dados e TI Aplicado à Gestão.

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