Impacto financeiro da pandemia vai ser superior ao da crise de 2008/2009

Margarida Lopes
25 de Novembro 2020 | 15:43

Os economistas da Crédito y Caución preveem uma redução do PIB mundial de 4,3% em 2020. Isso implica que o impacto negativo da COVID-19 será superior ao provocado pela crise financeira de 2008/2009. A Crédito y Caución espera assim um acelerar das insolvências.

 

De acordo com a seguradora, as actuais previsões de crescimento estão sujeitas a riscos, já que muitos países estão a endurecer as medidas de quarentena para lidar com o ressurgimento das infecções.

«Embora as repercussões económicas da pandemia de 2020 tenham sido graves e rápidas, os resultados do mais recente Barómetro de Práticas de Pagamento para a Europa mostram uma região atingida, mas não derrotada pelo vírus. Apesar disso, a pandemia mergulhou a Zona Euro numa recessão e as empresas podem vir a necessitar de mais medidas públicas de apoio no próximo ano», lê-se em comunicado.

O barómetro revela que todos os países da região relatam um incremento dos pagamentos em atraso e um dilatar do período médio de cobrança, comparativamente com os níveis anteriores à pandemia.

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O Reino Unido e a Holanda registam um aumento nas facturas vencidas de 81% e 75%, respectivamente. A Europa de Leste regista um aumento médio de 88%. Uma percentagem significativa de empresas apresenta um impacto negativo no fluxo de caixa e nos rendimentos, em especial na Bulgária e na Eslováquia.

Em resposta à recessão económica, o estudo deteta novas tendências de mudança nas práticas de pagamento das empresas. Muitos fornecedores dilatam os prazos de pagamento numa tentativa de aumentar a sua competitividade e de potenciar vendas. No entanto, uma percentagem significativa de empresas refere que concede este crédito para apoiar financeiramente os seus cliente no curto prazo.

De acordo com o barómetro, apesar do drástico aumento dos pagamentos em atraso e de um número considerável de empresas com problemas de liquidez, a confiança das empresas mantém-se. Embora muitos países estejam agora num segundo confinamento, um número significativo de empresas está optimista quanto às perspectivas para 2021.

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Muita desta aparente confiança foi impulsionada pelos apoios públicos. Embora com diferentes enfoques e alcances, muitos governos nos países estudados implementaram programas de apoio às empresas. A continuidade destas políticas será de vital importância para muitas delas no próximo ano.

O estudo mostra que é provável que haja um agravamento do quadro das insolvência. Os sectores das viagens, do turismo e da hotelaria serão os mais afectados. No entanto, como acontece com o próprio vírus, há muita incerteza. Muito dependerá da evolução do vírus e da eficácia de qualquer possível vacina. Enquanto isso, as empresas planeiam utilizar uma série de técnicas de gestão de crédito para proteger o seu fluxo de caixa.

O trabalho de campo do Barómetro de Práticas de Pagamento divulgado pela Crédito y Caución foi realizado durante a primeira vaga da pandemia entre empresas de treze países da Europa Ocidental e de Leste. Os resultados foram comparados com o inquérito realizado em 2019 para permitir a identificação de tendências claras do impacto da pandemia nas práticas de pagamento das empresas.

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