O estudo EPR – European Payment Report 2025 da Intrum revela que a recuperação económica continua a ser uma questão de sobrevivência para muitas empresas e quase um quarto dos líderes empresariais teme ser forçado a encerrar a actividade nos próximos dois anos se as condições económicas não melhorarem. Um cenário que poderá colocar em risco cerca de dez milhões de empresas e afectar potencialmente cerca de quarenta milhões de empregos em toda a Europa.
Esta preocupação é particularmente sentida pelas PME, para quem a liquidez é crucial. O EPR revela que cerca de metade das empresas expressa frustração por não estar a crescer tão rapidamente quanto gostaria.
Apesar de um desempenho melhor do que o esperado em 2024, quase metade dos executivos inquiridos refere que as suas receitas não estão a recuperar tão rapidamente como previam. Para proteger as relações comerciais, 56% aceitou condições de pagamento desfavoráveis e quase metade aceitou prazos de pagamento mais longos, para evitar falências dos seus clientes.
Em Portugal, os sinais de fragilidade financeira são claros e estão alinhados com a média europeia, 23% das empresas admitem que poderão encerrar nos próximos dois anos se as condições económicas não melhorarem, sendo que 29% destas empresas são PME, o que evidencia a especial vulnerabilidade deste segmento, pilar fundamental da economia nacional.
O EPR demonstra ainda que, ano após ano, os líderes empresariais mostram-se cada vez mais insatisfeitos com os prazos de pagamento acordados com clientes e parceiros. O estudo estima que, anualmente, 11% das receitas das empresas sejam pagas com atraso.
Se, por um lado, os pagamentos foram fortemente afetados durante a pandemia, passados cinco anos, a recuperação continua difícil uma vez que os atrasos nos pagamentos ainda não regressaram aos níveis pré-pandemia.
Para resolver o problema, quase oito em cada dez executivos que responderam ao inquérito, respondem estar a tornar mais simples o processo de pagamento para os seus clientes, nomeadamente através da melhoria das interfaces de pagamento (78%) e da disponibilização dos métodos de pagamento preferidos pelos clientes (75%).
Verifica-se também que 79% está a investir em análise de dados para prever tendências de pagamentos em atraso — um esforço que poderá ser ainda mais eficaz, com uma adopção mais ampla de IA na gestão de pagamentos
A inteligência artificial está a emergir como uma solução promissora para resolver atrasos nos pagamentos. No relatório deste ano, 58% dos executivos afirma que os avanços na IA irão melhorar significativamente a sua capacidade de gerir pagamentos em atraso, um aumento face aos 50% que referiram o mesmo no relatório de 2024.
Os líderes do sector público estão particularmente optimistas quanto ao potencial da IA. Actualmente, 59% das empresas utiliza IA na gestão de pagamentos e outros 32% planeiam investir nesta tecnologia.
Os executivos começam a reconhecer os benefícios da IA na gestão de pagamentos e entre os que já utilizam IA, 25% registaram um aumento de eficiência e 20% notou uma redução nos pagamentos em atraso. Com cerca de 11% das receitas totais a serem pagos com atraso, os benefícios em termos de fluxo de caixa são significativos. Os setores voltados para o consumidor, como os serviços públicos, utilities, retalho e transportes, são os mais otimistas quanto ao impacto positivo da IA nos seus negócios. Apesar disso, as empresas ainda não estão a explorar todo o potencial da IA. Apenas 22% acredita que os seus clientes preferem interagir com IA quando discutem atrasos de pagamentos.














