Índice de Bem-Estar no sector de TI desceu. Veja a comparação com outros sectores

Os dados são do estudo Global Talent Barometer 2026 do ManpowerGroup, que avalia 12 indicadores-chave, distribuídos por três índices – Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança.

Margarida Lopes
26 de Agosto 2026 | 14:00
Índice de Bem-Estar no sector de TI desceu. Veja a comparação com outros sectores
O estudo deste ano revela uma pontuação global de 67%, um ponto percentual abaixo do registado no ano passado, numa avaliação que demonstra o sentimento actual dos trabalhadores a nível global.
O Índice de Bem-Estar no sector de TI situa-se nos 72%, com 86% dos profissionais a afirmarem sentir significado e propósito no seu trabalho, enquanto 82% assumem estar alinhados com a visão e valores da empresa, o valor mais elevado entre todos os sectores analisados. Também o equilíbrio vida profissional e pessoal regista os melhores resultados comparativamente a outros sectores, com 80% dos trabalhadores a sentirem-se apoiados neste âmbito.
Ainda assim, o sector tecnológico continua a destacar-se pelos elevados níveis de pressão emocional. Mais de metade dos profissionais (53%) reporta níveis elevados de stress no dia-a-dia, posicionando as TI como o segundo sector mais pressionado, apenas atrás de Energia & Utilities.
Os níveis de burnout são igualmente os mais elevados entre todos os sectores analisados: 70% dos trabalhadores afirmam sentir ou já ter sentido burnout recentemente. Entre as principais causas identificadas estão os elevados níveis de stress (29%), a carga de trabalho e prazos apertados ou irrealistas (28%) e as longas horas de trabalho (24%). Este cenário demonstra que, apesar da elevada confiança e preparação, a intensidade do trabalho continua a ter um impacto significativo na experiência dos profissionais e na sua relação com as organizações.
Níveis elevados de bem-estar no trabalho não se traduzem numa maior fidelização dos trabalhadores
O Índice de Satisfação no Trabalho posiciona-se nos 62%, com 78% dos profissionais a afirmarem confiar no manager e sentir que este se preocupa com os seus interesses de carreira, representando o valor mais elevado entre todos os sectores. Contudo, apenas 44% dizem estar satisfeitos com o trabalho actual e sem intenção de mudar de empresa nos próximos seis meses, o que posiciona o sector entre os que apresentam níveis mais baixos de satisfação e fidelização.
Em simultâneo, 72% acreditam que conseguiriam encontrar outro emprego nos próximos seis meses, posicionando as TI como o sector mais optimista neste aspecto, 10 pontos percentuais acima da média. Paralelamente, 40% dos profissionais afirmam não sentir confiança no emprego actual e receiam perder o trabalho nos próximos seis meses.
Mais do que um problema de satisfação, estes resultados revelam um desafio critico para as organizações. Num sector onde a procura por talento especializado continua acima da oferta, profissionais altamente qualificados mantêm-se confiantes na sua empregabilidade e, por isso, tornam-se também mais exigentes relativamente às condições de trabalho, às oportunidades de desenvolvimento e à sustentabilidade das suas carreiras.
Este contexto aumenta a pressão sobre as empresas para criarem experiências de trabalho mais positivas, nomeadamente ao nível do stress e das cargas de trabalho, que reforcem o compromisso dos profissionais ao longo do tempo. Caso contrário, mesmo as organizações que oferecerem boas oportunidades de carreira e uma liderança motivadora poderão enfrentar maiores dificuldades em reter talento crítico, com impactos na continuidade dos projectos, na produtividade das equipas e na capacidade de responder às crescentes exigências do mercado.
O sector mais preparado para a IA mostra que a tecnologia, por si só, já não fideliza talento
O Índice de Confiança do sector de TI fixa-se nos 84%, mantendo-se estável face a 2025 e posicionando este como um dos setores mais preparados para responder à transformação do mercado de trabalho. Os profissionais de TI continuam a demonstrar elevados níveis de confiança nas suas competências actuais e no desenvolvimento da sua carreira, com a maioria (91%) a afirmar sentir confiança nas suas competências para desempenhar a função actual. Por outro lado, 85% reportam ter oportunidades para desenvolver novas competências e adquirir experiência para atingir os seus objectivos profissionais, sendo o valor mais elevado entre todos os sectores analisados.
Também ao nível da tecnologia e da Inteligência Artificial, as Tecnologias de Informação continuam a liderar. 83% dos trabalhadores afirmam sentir-se confiantes nas suas competências tecnológicas e na utilização de tecnologia para desempenhar as suas funções, posicionando o sector 11 pontos percentuais acima da média global. Ainda assim, este indicador registou uma descida de cinco pontos percentuais face ao ano passado, evidenciando que mesmo os setores mais preparados sentem o impacto da rápida aceleração tecnológica.
Paralelamente, 75% dos profissionais acreditam existir oportunidades de promoção e mobilidade dentro da organização, o valor mais elevado entre todos os sectores e que se encontra 13 pontos percentuais acima da média global, reforçando a percepção de que as empresas de TI continuam a oferecer percursos de desenvolvimento profissional muito acima da média.
Quando estes resultados são analisados em conjunto com os indicadores de satisfação e fidelização, emerge uma conclusão relevante: ser o sector mais preparado para trabalhar com tecnologia e Inteligência Artificial já não é suficiente para garantir o compromisso dos profissionais. Os dados mostram que elevados níveis de confiança, oportunidades de desenvolvimento e empregabilidade coexistem com uma menor intenção de permanência nas organizações e com elevados níveis de stress e burnout.
Este sector antecipa, por isso, um desafio que tenderá a estender-se ao restante mercado de trabalho à medida que a transformação digital acelera.  A capacidade das organizações para atrair e reter talento dependerá cada vez mais da qualidade da experiência de trabalho que conseguem proporcionar. O investimento em aprendizagem contínua continuará a ser essencial, mas terá de ser acompanhado por modelos de liderança, desenvolvimento de carreira e bem-estar capazes de transformar profissionais altamente qualificados em equipas verdadeiramente comprometidas.
O estudo Global Talent Barometer 2026 é uma ferramenta que mede o bem-estar e a satisfação profissional dos trabalhadores com base em 12 indicadores-chave, agrupados em três índices: Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança. A pesquisa envolveu 13.918 trabalhadores a nível global, em 19 países.
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