«As respostas ao 64.º Barómetro Human Resources dividem-se quanto à eficácia da aplicação da IA na Gestão de Pessoas. Ainda assim, uma percentagem significativa (67%) identifica o Recrutamento e a Formação & Desenvolvimento como as áreas em que a IA poderá ser mais eficaz, seguindo-se a Gestão de Talento (44%) e a Comunicação Interna (35%). Por outro lado, regista-se ausência de respostas nas áreas da Diversidade e Inclusão, do Bem-Estar e da Liderança.
Esta ausência de respostas pode levar-nos a reflectir sobre alguns aspectos: a menor associação da IA a temas relacionais ou mais “humanos”; preocupações éticas, nomeadamente ao nível da privacidade de dados e da ainda limitada regulamentação; ou, simplesmente, o facto de serem áreas com menor maturidade na recolha e estruturação de dados que suportem soluções de IA.
Voltando ao recrutamento, é relevante cruzar estes resultados com os dados sobre a adopção de IA nos processos de recrutamento e de gestão de talento nas organizações: 39% dos inquiridos refere um ritmo moderado, enquanto 30% aponta ritmos lentos ou muito lentos. Este contraste sugere que, apesar de se reconhecerem benefícios no uso de IA e de ferramentas que agilizem processos (em particular no recrutamento), a implementação nas organizações continua a avançar com cautela e alguma resistência.
Por fim, 61% dos inquiridos refere que não enfrenta pressão para reduzir equipas com base na expectativa de retorno da utilização de IA. Este dado está alinhado com evidência recorrente na literatura e em estudos de mercado, que indicam a IA sobretudo como um factor de aumento de eficiência e agilidade, complementando o trabalho das pessoas, mais do que as substituindo.»
Este testemunho foi publicado na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources, no âmbito do seu LXIV Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital













