Inês Madeira, Grupo FHC: Produtividade sustentável

Human Resources
8 de Agosto 2025 | 14:00
Inês Madeira, Grupo FHC: Produtividade sustentável

O desafio de equilibrar resultados e bem-estar nas organizações modernas.

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Por Inês Madeira, directora de Capital Humano & Comunicação Interna do Grupo FHC

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A pressão por resultados nunca foi tão intensa no mundo corporativo. As empresas, impulsionadas por mercados cada vez mais competitivos, impõem metas ambiciosas e prazos apertados aos seus colaboradores. Este ambiente desafiante, embora potencie ganhos de produtividade e inovação, tem consequências directas na saúde mental dos trabalhadores, sobretudo quando não é acompanhado por práticas de gestão sustentáveis e inclusivas.

A pressão por resultados traduz-se frequentemente em longas jornadas laborais, aumento da intensidade do trabalho e dificuldade em estabelecer limites claros entre a vida profissional e pessoal. Esta realidade é agravada pelo recurso massivo ao teletrabalho, que, apesar de proporcionar flexibilidade e autonomia, trouxe consigo novos desafios: a sobreposição de tarefas domésticas e profissionais, a ausência de fronteiras físicas e temporais e a redução do contacto social presencial.

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São vários os estudos nacionais e internacionais que demonstram o contributo destes factores para o aumento dos níveis de stress, fadiga, ansiedade e burnout, afectando negativamente a qualidade de vida dos trabalhadores.

A literatura evidencia que o teletrabalho, quando não acompanhado de suporte organizacional adequado, pode intensificar o isolamento social, dificultar a separação entre trabalho e família e aumentar o risco de conflitos interpessoais e intrafamiliares. A chave está na capacidade que as organizações possuem em reconhecer e responder às necessidades individuais dos seus colaboradores, promovendo políticas de apoio psicológico, formação em competências emocionais e mecanismos de inclusão activa.

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Por outro lado, o impacto da diversidade crescente nas equipas acrescenta uma camada adicional de complexidade. Equipas compostas por colaboradores de diferentes origens culturais, gerações e perfis profissionais podem beneficiar da pluralidade de perspectivas, mas também enfrentam desafios de integração, comunicação e gestão de expectativas. A falta de inclusão e de práticas de liderança sensíveis à diversidade pode potenciar sentimentos de isolamento e exclusão.

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A interligação entre a pressão por resultados, a saúde mental, a diversidade e o teletrabalho exige, por isso, uma abordagem holística e integrada por parte das empresas. O sucesso sustentável das organizações depende cada vez mais da sua capacidade de criar ambientes de trabalho saudáveis, inclusivos e flexíveis.

Numa abordagem holística, a gestão de Recursos Humanos (RH) sustentável torna-se fundamental para enfrentar os desafios descritos, nomeadamente a pressão por resultados, o impacto do teletrabalho e a crescente diversidade nas equipas. Uma abordagem sustentável em RH reconhece que a produtividade e a inovação só são verdadeiramente alcançáveis quando o bem-estar dos colaboradores é valorizado e protegido.

Por um lado, a implementação de políticas organizacionais que priorizem o apoio psicológico e a valorização da diversidade, o acesso a programas de prevenção do stress, burnout e ansiedade, bem como a criação de espaços de diálogo aberto sobre saúde mental

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Da mesma forma, estabelecer metas e prazos realistas evita a sobrecarga e o prolongamento excessivo do horário de trabalho. As organizações devem monitorizar os sinais de exaustão, promovendo o respeito pelos limites entre a vida profissional e pessoal (especialmente em regimes de teletrabalho).

Por fim, apostar no desenvolvimento de programas de formação que capacitem líderes e equipas para lidar com emoções, gerir conflitos e promover relações de trabalho saudáveis.

Ao integrarem estas práticas nas decisões estratégicas, as empresas não só reduzem o risco de doenças ocupacionais e rotatividade, como também promovem uma cultura de responsabilidade social e sustentabilidade, indispensável para o sucesso organizacional a longo prazo.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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