Insolvências em Portugal crescem 4% no primeiro trimestre do ano. No resto do mundo aumentam 14%

Margarida Lopes
21 de Abril 2020 | 10:45

No primeiro trimestre de deste ano, o número de empresas insolventes em Portugal foi de 658, o que representa um crescimento de 4% face ao período homólogo. Os dados são da COSEC.

 

A análise da seguradora especializada nos ramos do Seguro de Créditos e Caução mostra também, que os pedidos de Processo Especial de Revitalização (PER) diminuíram 20% neste primeiro trimestre (foram 102, no total, contra as 127 registadas nos primeiros três meses de 2019.

«A economia global está num enorme estado de turbulência. O mundo está a atravessar um novo tipo de crise económica e sanitária que está a colocar todas as economias, e as empresas, sob uma pressão intensa. Prevemos que o aumento das insolvências, que já se verifica no primeiro trimestre do ano, se acentue nos próximos meses», afirma Maria Celeste Hagatong, presidente do Conselho de Administração da COSEC.

 

Continue a ler após a publicidade

Sector dos Serviços e microempresas continuam a ser os mais afectados
Os dados da COSEC revelam que as microempresas continuam a representar a maioria dos casos de insolvência, com uma quota de 65%. Esta tem sido a tendência desde 2009.

Embora com um ligeiro decréscimo (de 23% no primeiro trimestre de 2019 para 21% para o mesmo período em 2020), também o sector dos serviços continua a liderar em número de insolvências, com 136. Seguem-se o sector do retalho (15,3%), com um total de 101 empresas insolventes, e o sector da construção (14,9%), com 98.

Na categoria de Empresário em Nome Individual (ENI) registaram-se, no primeiro trimestre deste ano, 95 insolvências, 14% do total do número total em Portugal.

Continue a ler após a publicidade

No que respeita à distribuição geográfica, os resultados das insolvências mantiveram-se comparativamente ao mesmo período em 2019. Neste seguimento, o Porto apresenta o maior número (23,4%, contra 28,5% no primeiro trimestre de 2019), seguido de Lisboa (18,5%, contra 18,1%) e do distrito de Braga (13,4%, contra 12,2%). Os distritos de Beja, Portalegre e Évora continuaram a registar o menor número de insolvências, com um total de 16 casos registados.

No período em análise foram criadas em Portugal 11 939 empresas, o que representa um decréscimo de -25% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Continuaram na liderança os sectores dos Serviços (2.976 empresas), Construção (1.398) e Retalho (1.366). Lisboa (3.931 empresas), Porto (2.201), Setúbal (896) e Braga (874) mantiveram-se como os distritos onde se registaram um maior número de novas empresas.

Relativamente aos casos de pedido de Processo Especial de Revitalização (PER), 40% foram solicitados por micro ou pequenas empresas. Quanto aos sectores que registaram o maior número de pedidos de acesso a este mecanismo, destacam-se os sectores dos Serviços (15 empresas), Alimentação (14) e Construção (13).

 

Impactos económicos
De acordo os dados do último balanço disponibilizado pelas empresas, observou-se no processo de insolvência um potencial impacto de mais de 5100 postos de trabalho, um volume de negócios superior a 295 milhões de euros.

Continue a ler após a publicidade

Cerca de 68% do número de postos de trabalho em risco estão concentrados nas micro e nas pequenas empresas, tendência também observada no que toca ao valor de créditos a fornecedores (84%), o que reflecte o peso destas empresas no total das empresas insolventes, e a sua maior vulnerabilidade face aos desafios do panorama económico actual.

 

Aumento de 14% das insolvências em todo o mundo
Se já se antecipava uma desaceleração económica internacional, embora em muito menor escala, a epidemia de COVID-19 reforçou tendência. A Euler Hermes, accionista da COSEC e líder mundial em seguro de créditos, aponta para um aumento de 14% das insolvências em todo o mundo durante o ano de 2020 (16% na Europa Ocidental).

Apesar das intervenções dos governos para apoiar empresas (através de adiamentos de impostos, empréstimos, garantias estatais, etc.), que deverão ajudar a limitar os danos, o actual contexto de bloqueio da economia poderá levar à falência cerca de 7% das PME e midcaps da Zona Euro – cerca de 13 mil negócios. Neste âmbito, 10% do total de empresas em risco estão em França, perto de 9% na Alemanha, 8% na Bélgica, 6% em Espanha e 5% em Itália.

A Euler Hermes estima que as insolvências vão aumentar principalmente em Itália (+ 18%), Espanha (+ 17%) e Holanda (+ 21%). A Alemanha (+ 7%), a França (+ 8%) e a Bélgica (+ 8%) também deverão registar um aumento maior de insolvências do que o previsto antes da pandemia. Os sectores que correm maior risco são a construção, o sector agro-alimentar e o dos serviços.

Consequentemente, esta pausa na actividade económica coloca 65 milhões de empregos em risco ou a precisarem de apoio dos Governos. Contudo, uma vez que, embora seja acentuada, esta crise económica é de natureza temporária, os economistas apontam para que a taxa de desemprego na Zona Euro aumente apenas um ponto percentual, para pouco mais de 8%. Isto significa que poderá haver uma perda de até 1,5 milhões de postos de trabalho nos próximos 12 meses, particularmente os trabalhadores independentes ou com contratos temporários.

Partilhar


Mais Notícias