Ambas confirmam que os programas EPIS no primeiro e terceiro ciclos de escolaridade melhoram os resultados académicos e prolongam os percursos escolares dos alunos apoiados. Mais do que melhorar notas no curto prazo, a intervenção muda trajectórias escolares.
A avaliação de longo prazo da Nova SBE acompanhou alunos do terceiro ciclo intervencionados entre 2014 e 2016 e seguiu-os ao longo de quase uma década. A conclusão é que os alunos apoiados tiveram percursos escolares mais longos, com maior probabilidade de prosseguir além da escolaridade básica e de chegar ao ensino secundário. O impacto é estatisticamente significativo e manteve-se ao longo dos anos.
Terceiro ciclo: efeitos que se prolongam até ao secundário
Há três conclusões desta avaliação de longo prazo que importam a quem decide políticas públicas. A primeira é que a dose importa. Os ganhos não resultam apenas de pertencer ao grupo apoiado, mas da intensidade do acompanhamento. No terceiro ciclo, os efeitos são maiores entre os alunos que receberam um número de sessões de mediação acima da média.
A segunda conclusão é que a EPIS beneficia mais quem mais precisa. No terceiro ciclo, os ganhos são mais expressivos entre os alunos de estratos socioeconómicos mais baixos, aqueles que, sem apoio, mais cedo abandonariam a escola, e que com o programa chegam a concluir o 12.º ano.
A terceira conclusão é que são as raparigas a registar os impactos mais fortes nos seus percursos. Num país onde a origem social ainda condiciona o destino escolar, o programa não amplia desigualdades, esbate-as.
Primeiro Ciclo: quanto mais cedo e mais regular, melhor
No primeiro ciclo, confirma-se o mesmo: o efeito segue a intensidade do acompanhamento. Quanto mais sessões um aluno recebe, melhores os resultados, numa relação linear que afasta a hipótese de serem os melhores alunos a receber mais apoio e aponta para um retorno proporcional ao que se investe em cada criança. Cada sessão adicional vale cerca de 0,04 pontos no desempenho académico.
Na prática, ao longo de quatro anos, os alunos acompanhados com pelo menos uma sessão por semana obtiveram classificações médias superiores às dos colegas não apoiados nas três disciplinas avaliadas: mais 4,7 pontos percentuais a Português, 3,7 a Matemática e 3,4 a Estudo do Meio. A análise causal mais conservadora, que controla as diferenças de partida entre alunos, confirma um efeito médio de 2,7 pontos percentuais. Na transição para o quinto ano, todos transitaram de ciclo, contra 97% no grupo de controlo.
O momento da intervenção também é decisivo. Intervir cedo não vale apenas pelo benefício imediato: cria condições que tornam o apoio posterior mais eficaz. É o chamado efeito de legado. Os alunos que receberam acompanhamento intensivo nos dois primeiros anos chegavam ao quarto ano com vantagens de mais de 20 pontos percentuais a Português, mesmo quando, nos anos finais, o apoio era equivalente ao dos restantes. A fase inicial, funcional, parece não ser substituível: é ela que constrói as bases cognitivas sobre as quais assenta a aprendizagem seguinte.
Por detrás destes resultados no primeiro e terceiro ciclos está uma figura central: o mediador. As avaliações mostram que o desempenho do programa varia com a qualidade e a estabilidade de quem o aplica no terreno. Onde os mediadores foram mais experientes e consistentes, os resultados foram superiores. Onde houve rotatividade ou quebras de acompanhamento, o efeito diminuiu. Na educação, nenhuma metodologia substitui o vínculo humano, e investir nestes profissionais é investir nos resultados.
A leitura conjunta das duas avaliações aponta na mesma direcção. Do primeiro ao terceiro ciclo, quando há um acompanhamento próximo, doseado e precoce, os alunos aprendem mais, reprovam menos e ficam mais tempo na escola, e os efeitos mantêm-se para lá do período da intervenção. Numa altura em que Portugal procura respostas estruturais para o abandono escolar e para as desigualdades educativas, o trabalho da EPIS tem agora prova feita.
A EPIS encerrou 2025 com 78.345 beneficiários, mais 3% do que no ano anterior. A maioria são alunos (73.048), a que se somam familiares (2.453) e professores e assistentes operacionais (2.844) abrangidos pelos programas desenvolvidos em ambiente escolar.
O programa de promoção do sucesso escolar foi o que mais cresceu, com 13.228 alunos acompanhados, um aumento de 31% face a 2024. O programa Dove – Eu confiante, de promoção da autoestima e imagem corporal, manteve a maior escala, com 28.101 alunos, e o programa Por Ti, de promoção do bem-estar mental nas escolas, abrangeu mais de 25 mil alunos nas suas duas fases. A estes juntam-se intervenções dirigidas, como o programa CIVIS, de combate à violência e promoção da cidadania, e o Mapa Mundo, de promoção da abertura à experiência.
A aposta no voluntariado também se reforçou. O programa Vocações EPIS mobilizou 792 voluntários, que apoiaram quase 6 mil alunos, e o número de professores envolvidos subiu para 566. No mesmo sentido, as Bolsas Sociais EPIS cresceram 47%, para 345 bolsas, com o investimento associado a aumentar 51%, para 857 mil euros.














