Esta Projecção reflecte um abrandamento nas intenções de contratação, diminuindo 11 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Traduz igualmente um maior pessimismo dos empregadores nacionais, do que o observado noutros mercados, com a Projecção nacional a situar-se oito pontos percentuais abaixo da média global (+26%). Ainda assim, o indicador permanece acima do registado no mesmo período de 2025, quando o sentimento dos empregadores caiu para os 16%.
Os resultados surgem num contexto internacional marcado pelo aumento das tensões geopolíticas, pela subida dos custos energéticos e pelo abrandamento económico em vários mercados europeus. Apesar destes desafios, Portugal continua a apresentar sinais de resiliência económica e laboral, mantendo intenções de contratação positivas em todos os sectores, regiões e dimensões empresariais analisadas.
Mesmo num contexto de maior prudência empresarial, o crescimento das empresas mantém-se como o principal factor por detrás do reforço das equipas em Portugal. Ainda assim, apenas 34% dos empregadores apontam esta razão como motivação para contratar, o que representa uma descida de 10 pontos percentuais face ao trimestre anterior.
A necessidade de recursos dedicados a projectos específicos surge de seguida, referida por 24% dos empregadores. O impacto da escassez de talento em Portugal continua igualmente visível, com 22% dos empregadores a referirem o preenchimento de vagas abertas no trimestre anterior e 18% o preenchimento de vagas abertas em trimestres passados, reflectindo a dificuldade dos empregadores de encontrar o talento de que necessitam. Paralelamente, aumenta o foco em competências especializadas, com 17% dos empregadores a indicarem a procura de novas competências para manter a competitividade, evidenciando a crescente importância da transformação tecnológica e da adaptação dos perfis profissionais às novas exigências do mercado.
Entre os empregadores que antecipam reduzir o número de colaboradores, os desafios económicos surgem como o principal factor motivador, apontado por 27% dos inquiridos. Seguem-se a necessidade de reestruturação ou downsizing e os ajustes da força de trabalho à evolução da procura, ambos mencionados por 23% dos empregadores.
Destaca-se ainda o crescimento da automação como factor que impulsiona a redução de postos de trabalho, com 20% a referirem que diminuiu a necessidade de determinadas funções, registando uma subida de cinco pontos percentuais face ao trimestre anterior. Este indicador sobe da sétima para a quarta posição entre os principais motivos de redução de equipas.
Apesar do contexto internacional desafiante, apenas 13% dos empregadores portugueses identificam os desafios geopolíticos como uma das principais razões para reduzir o número de trabalhadores.
A análise por dimensão empresarial antecipa intenções de contratação positivas para todas a categorias no terceiro trimestre do ano
As perspectivas mais sólidas pertencem às Grandes Empresas de até 1000 trabalhadores, que registam uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +26%, e às Microempresas, que se fixam nos +25%, em crescimento de três pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior.
Apesar de manterem perspectivas de contratação positivas, as Pequenas e Médias Empresas revelam sinais de maior prudência. Com Projecções de +19% e +21%, respectivamente, ambas registam um abrandamento face ao trimestre anterior, de 13 e 15 pontos percentuais, bem como uma diminuição de seis e três pontos percentuais face ao período homólogo de 2025. Este dado reflecte a transversalidade do impacto da desaceleração nas contratações, dado o peso destas categorias de tamanho de empresa no tecido empresarial nacional.
Seguem-se as Grandes Empresas entre 1000 e 4999 trabalhadores, cujos empregadores antecipam uma Projecção positiva de +18%, enquanto as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores apresentam intenções mais moderadas, de +5%.
América do Norte revela intenções de contratação sólidas enquanto Europa regista os níveis mais baixos dos últimos cinco anos
A Projecção para a Criação Líquida de Emprego global fixa-se nos +26% para o terceiro trimestre de 2026, registando uma diminuição de cinco pontos percentuais na comparação com o trimestre anterior. Apesar disso, mantém-se dois pontos percentuais acima do valor registado no mesmo período de 2025. O abrandamento das perspectivas de contratação assume um carácter generalizado, com 32 dos 41 países e territórios analisados a registarem uma diminuição das intenções de contratação face ao trimestre anterior.
Ainda assim, 42% das organizações continuam a prever aumentar o número de colaboradores no terceiro trimestre de 2026, mas este valor representa uma descida face aos 45% registados no trimestre anterior.
A América do Norte (+40%) apresenta perspectivas de contratação robustas, impulsionadas pela resiliência do mercado de trabalho dos Estados Unidos (+45%). Em contraste, a Europa regista uma Projecção de apenas +14%, o valor mais baixo dos últimos cinco anos, reflectindo o impacto da desaceleração económica, dos custos energéticos elevados e da persistente incerteza geopolítica.
A nível global, a Índia e Porto Rico lideram as intenções de contratação, ambas a fixarem-se nos +48%, enquanto a Roménia (-12%), Hong Kong (-9%) e a Eslováquia (-6%) apresentam as intenções mais baixas.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou 40.500 empregadores, em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Setembro e divulgará as expectativas de contratação para o quarto trimestre de 2026.














