Intenções de contratação em Portugal caem 11 pontos percentuais

A Projecção para a Criação Líquida de Emprego situa-se nos +18% para o terceiro trimestre de 2026, segundo os dados mais recentes do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, com 47% dos empregadores nacionais a afirmar pretender manter as suas equipas, face a 35% que planeiam aumentar e 17% que anteveem reduzir.

Margarida Lopes
9 de Junho 2026 | 12:50
Intenções de contratação em Portugal caem 11 pontos percentuais

Esta Projecção reflecte um abrandamento nas intenções de contratação, diminuindo 11 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Traduz igualmente um maior pessimismo dos empregadores nacionais, do que o observado noutros mercados, com a Projecção nacional a situar-se oito pontos percentuais abaixo da média global (+26%). Ainda assim, o indicador permanece acima do registado no mesmo período de 2025, quando o sentimento dos empregadores caiu para os 16%.

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Os resultados surgem num contexto internacional marcado pelo aumento das tensões geopolíticas, pela subida dos custos energéticos e pelo abrandamento económico em vários mercados europeus. Apesar destes desafios, Portugal continua a apresentar sinais de resiliência económica e laboral, mantendo intenções de contratação positivas em todos os sectores, regiões e dimensões empresariais analisadas.

Mesmo num contexto de maior prudência empresarial, o crescimento das empresas mantém-se como o principal factor por detrás do reforço das equipas em Portugal. Ainda assim, apenas 34% dos empregadores apontam esta razão como motivação para contratar, o que representa uma descida de 10 pontos percentuais face ao trimestre anterior.

A necessidade de recursos dedicados a projectos específicos surge de seguida, referida por 24% dos empregadores. O impacto da escassez de talento em Portugal continua igualmente visível, com 22% dos empregadores a referirem o preenchimento de vagas abertas no trimestre anterior e 18% o preenchimento de vagas abertas em trimestres passados, reflectindo a dificuldade dos empregadores de encontrar o talento de que necessitam. Paralelamente, aumenta o foco em competências especializadas, com 17% dos empregadores a indicarem a procura de novas competências para manter a competitividade, evidenciando a crescente importância da transformação tecnológica e da adaptação dos perfis profissionais às novas exigências do mercado.

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Entre os empregadores que antecipam reduzir o número de colaboradores, os desafios económicos surgem como o principal factor motivador, apontado por 27% dos inquiridos. Seguem-se a necessidade de reestruturação ou downsizing e os ajustes da força de trabalho à evolução da procura, ambos mencionados por 23% dos empregadores.

Destaca-se ainda o crescimento da automação como factor que impulsiona a redução de postos de trabalho, com 20% a referirem que diminuiu a necessidade de determinadas funções, registando uma subida de cinco pontos percentuais face ao trimestre anterior. Este indicador sobe da sétima para a quarta posição entre os principais motivos de redução de equipas.

Apesar do contexto internacional desafiante, apenas 13% dos empregadores portugueses identificam os desafios geopolíticos como uma das principais razões para reduzir o número de trabalhadores.

 

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A análise por dimensão empresarial antecipa intenções de contratação positivas para todas a categorias no terceiro trimestre do ano
As perspectivas mais sólidas pertencem às Grandes Empresas de até 1000 trabalhadores, que registam uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +26%, e às Microempresas, que se fixam nos +25%, em crescimento de três pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior.

Apesar de manterem perspectivas de contratação positivas, as Pequenas e Médias Empresas revelam sinais de maior prudência. Com Projecções de +19% e +21%, respectivamente, ambas registam um abrandamento face ao trimestre anterior, de 13 e 15 pontos percentuais, bem como uma diminuição de seis e três pontos percentuais face ao período homólogo de 2025. Este dado reflecte a transversalidade do impacto da desaceleração nas contratações, dado o peso destas categorias de tamanho de empresa no tecido empresarial nacional.

Seguem-se as Grandes Empresas entre 1000 e 4999 trabalhadores, cujos empregadores antecipam uma Projecção positiva de +18%, enquanto as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores apresentam intenções mais moderadas, de +5%.

 

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América do Norte revela intenções de contratação sólidas enquanto Europa regista os níveis mais baixos dos últimos cinco anos
A Projecção para a Criação Líquida de Emprego global fixa-se nos +26% para o terceiro trimestre de 2026, registando uma diminuição de cinco pontos percentuais na comparação com o trimestre anterior. Apesar disso, mantém-se dois pontos percentuais acima do valor registado no mesmo período de 2025. O abrandamento das perspectivas de contratação assume um carácter generalizado, com 32 dos 41 países e territórios analisados a registarem uma diminuição das intenções de contratação face ao trimestre anterior.

Ainda assim, 42% das organizações continuam a prever aumentar o número de colaboradores no terceiro trimestre de 2026, mas este valor representa uma descida face aos 45% registados no trimestre anterior.

A América do Norte (+40%) apresenta perspectivas de contratação robustas, impulsionadas pela resiliência do mercado de trabalho dos Estados Unidos (+45%). Em contraste, a Europa regista uma Projecção de apenas +14%, o valor mais baixo dos últimos cinco anos, reflectindo o impacto da desaceleração económica, dos custos energéticos elevados e da persistente incerteza geopolítica.

A nível global, a Índia e Porto Rico lideram as intenções de contratação, ambas a fixarem-se nos +48%, enquanto a Roménia (-12%), Hong Kong (-9%) e a Eslováquia (-6%) apresentam as intenções mais baixas.

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O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou 40.500 empregadores, em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Setembro e divulgará as expectativas de contratação para o quarto trimestre de 2026.

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