Investigador português cria pulseira que identifica “drogas da violação”

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa I NOVA FCT anuncia que o professor Carlos Lodeiro Espiño, investigador do departamento de Química, unidade de investigação LAQV-REQUIMTE, está a coordenar um projecto na detecção de drogas de submissão química, como o GHB e a burundanga – vulgarmente conhecidas como “drogas da violação”.

O projecto, desenvolvido em colaboração com a Universidade de Valência e a empresa Celentis, já originou uma patente conjunta e dois artigos científicos, e resultou num dispositivo, actualmente comercializado em Espanha. O próximo passo será a sua introdução no mercado português; a pulseira será lançada brevemente pela startup portuguesa Nanoarts.org.

A pulseira detecta a presença destas substâncias através de uma simples gota da bebida, que pode ser transferida com uma gota, ou ao tocar com o dedo ou, por exemplo, com um pouco de saliva. É reutilizável durante cinco dias até dar positiva e fornece uma indicação imediata da presença de droga a qual a droga em específico, como GHB (ácido gamma-hidroxibutirico ou extasis líquido), escolopolamina (burundanga), metanfetamina, ketaminas, catinonas, entre outros. Em caso positivo, a pessoa pode evitar o consumo e alertar de imediato as autoridades.

Estas drogas são de fácil acesso, baixo custo e, sobretudo, difíceis de detectar no organismo poucas horas após a ingestão. Mesmo com análises ao sangue, é muitas vezes impossível confirmar a sua presença, o que dificulta a prova do crime. Por isso, a detecção preventiva na bebida assume um papel essencial na proteção das vítimas, e ainda, como prova criminal.

«O objectivo é oferecer uma ferramenta simples, acessível e eficaz para prevenir crimes de abuso sexual, sobretudo em contextos onde as pessoas estão mais vulneráveis, como discotecas, bares ou festivais», afirma Carlos Lodeiro Espino, investigador do LAQV-REQUIMTE e professor catedrático do departamento de Química da NOVA FCT.

A equipa de investigação está já em contacto com autoridades, municípios e entidades promotoras de eventos em Portugal, para que a pulseira possa ser reconhecida como elemento de prova legal e integrada em campanhas de sensibilização e prevenção resultando em eventos seguros.

Este dispositivo surge numa altura em que crescem os alertas para a presença destas substâncias em crimes sexuais em Portugal.

Ler Mais