Já ouviu falar do fenómeno “stay-at-home boyfriend”? Está a ganhar força neste mercado laboral

Há cerca de três décadas, os homens detinham uma vantagem de cerca de sete milhões de empregos face às mulheres. Contudo, essa diferença foi diminuindo progressivamente, até desaparecer por completo.

Human Resources
11 de Setembro 2026 | 12:20
Já ouviu falar do fenómeno “stay-at-home boyfriend”? Está a ganhar força neste mercado laboral

As mulheres passaram a representar uma parcela superior à dos homens na força de trabalho norte-americana, um marco que ocorre apenas pela terceira vez na história dos Estados Unidos e que, segundo os economistas, poderá reflectir uma alteração estrutural e duradoura do mercado laboral, reporta a Fortune.

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Há cerca de três décadas, os homens detinham uma vantagem de cerca de sete milhões de empregos face às mulheres. Contudo, essa diferença foi diminuindo progressivamente, até desaparecer por completo.

Ao contrário dos períodos anteriores em que as mulheres ultrapassaram os homens em número de trabalhadores empregados, durante a Grande Recessão e a pandemia de Covid-19, os especialistas defendem que o fenómeno actual não resulta de uma crise económica temporária, mas de mudanças profundas na composição do emprego.

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Grande parte da explicação está na criação de emprego em sectores tradicionalmente dominados por mulheres, como saúde, educação e serviços de apoio social. Simultaneamente, várias actividades com maior predominância masculina, incluindo indústria transformadora, construção, media, tecnologia e algumas áreas financeiras, têm apresentado crescimento limitado ou mesmo perdas de postos de trabalho.

Dados citados pela Fortune mostram que os Estados Unidos criaram 1,2 milhões de empregos nos dois anos até Fevereiro, sendo que aproximadamente 814 mil dessas novas posições foram ocupadas por mulheres. No mesmo período, o emprego masculino diminuiu em cerca de 142 mil postos de trabalho.

A área da saúde e assistência social destaca-se particularmente nesta evolução. Entre Julho de 2023 e Julho de 2025, o sector gerou 1,8 milhões de novos empregos, representando mais de metade do crescimento total do emprego no país. Actualmente, quase 79% dos profissionais desta área são mulheres.

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Escassez de talento impulsiona profissões historicamente femininas

Profissões como enfermagem, ensino e trabalho social continuam a registar escassez de profissionais, contribuindo para a criação de novas oportunidades de emprego. Apesar da crescente procura, muitos homens continuam a demonstrar pouco interesse por estas carreiras, tradicionalmente associadas ao universo feminino.

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Em algumas profissões qualificadas da área da saúde, a presença feminina é particularmente expressiva. Os cursos de terapia da fala, por exemplo, são maioritariamente frequentados por mulheres, que representam mais de 96% dos estudantes de mestrado nesta área. Já nos cursos de enfermagem, as mulheres correspondem a cerca de 87% dos alunos.

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Os especialistas defendem que a tendência não deve ser encarada como uma anomalia estatística, mas como o resultado de uma trajectória observada ao longo de várias décadas.

Ao mesmo tempo, a participação dos homens no mercado de trabalho continua a enfraquecer. Segundo os dados referidos, a taxa de participação na força de trabalho dos EUA situou-se nos 61,5% em Junho de 2026, um dos níveis mais baixos das últimas décadas.

O cenário surge num contexto de abrandamento da contratação. O mais recente relatório de emprego apontava para a criação de apenas 57 mil novos postos de trabalho, embora sectores como serviços profissionais, saúde e assistência social continuem a recrutar.

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