Já ouviu falar em “AI washing”? A mais recente táctica das empresas para ocultar erros estratégicos

As empresas estão a ser acusadas de usar a IA como “bode expiatório” em despedimentos corporativos, revela a HRD.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, alertou para a prática de “AI washing” por parte das empresas, em que os empregadores utilizam a IA como justificação para despedimentos que não têm qualquer relação com a tecnologia.

Em Fevereiro, Altman alertou que as empresas estão a culpar injustamente a IA pela redução dos seus quadros de pessoal. «Não sei qual a percentagem exacta, mas existe uma prática de “AI washing” em que as empresas culpam a IA por despedimentos que fariam de outra forma, e há também uma verdadeira substituição de diferentes tipos de empregos pela IA», disse Altman em entrevista à CNBC.

Não é a primeira vez que os empregadores são acusados ​​de praticar “AI washing”. Um relatório da Forrester, publicado no início de Fevereiro, afirmou que as empresas estão a confundir despedimentos motivados por questões financeiras com despedimentos motivados pela IA. «Muitas empresas que anunciam despedimentos relacionados com a IA não têm aplicações de IA maduras e validadas prontas para preencher estas vagas, o que evidencia uma tendência de “AI washing”», afirmou a Forrester.

As alegações surgem na sequência de relatos contraditórios sobre o impacto da IA ​​no emprego, com alguns líderes empresariais a afirmar que a tecnologia deverá reduzir significativamente o número de colaboradores nas organizações, incluindo os cargos de nível inicial. Há também pesquisas anteriores que indicam que as organizações cortaram vagas e as substituíram por ferramentas de IA.

Dados da empresa Challenger, Gray & Christmas revelaram que, desde 2023, a IA foi citada em quase 80.000 anúncios de cortes de emprego. No entanto, o relatório também referiu que alguns cortes anunciados pelos CEO podem ser «devidos mais à contratação excessiva e à redução dos níveis hierárquicos do que à nova tecnologia».

Uma análise recente do Yale Budget Lab destacou que as medidas de exposição, automação e aumento da capacidade humana «não mostram qualquer sinal de relação com as alterações no emprego ou no desemprego».

David Linthicum, líder de pensamento em IA, disse que as organizações estão a recorrer à narrativa da IA ​​porque é «aceitável, futurista e atrai menos escrutínio jurídico». Segundo Linthicum, esta prática permite aos empregadores fugir à responsabilidade por decisões anteriores, como contratações demasiado rápidas nos últimos anos. «A IA oferece uma negação plausível, permitindo aos líderes evitar a responsabilidade por planeamentos errados da força de trabalho», disse no LinkedIn.

Mas a prática de “AI washing” corre o risco de dar aos colaboradores mais um motivo para desconfiar dos seus líderes.

Jack Dorsey, fundador da empresa de serviços financeiros Block, está a ser alvo de suspeitas de “AI washing” após anunciar o corte de 4000 colaboradores, uma redução de quase metade da força de trabalho, e Dorsey atribui a grande mudança à tecnologia.

«As ferramentas de IA mudaram o que significa construir e gerir uma empresa. Já o estamos a ver internamente. Uma equipa significativamente mais pequena, utilizando as ferramentas que estamos a desenvolver, pode fazer mais e melhor. E as capacidades das ferramentas de IA estão a multiplicar-se cada vez mais rapidamente», disse numa carta aos accionistas.

Mas Zachary Gunn, analista sénior da Financial Technology Partners, acredita que há outro motivo. «Ao analisar o número total de colaboradores, percebe-se que isso se deve mais ao “crescimento” da empresa durante tanto tempo do que à IA em si», disse Gunn, citado pelo Los Angeles Times.

Linthicum alertou que o “AI washing” pode salvar as aparências a curto prazo, mas, no longo prazo, prejudica a relação entre as empresas e os seus colaboradores. «Enquadrar os despedimentos como um resultado directo da inovação em IA encobre verdades importantes.»

Os empregadores podem evitar estas acusações, adoptando algumas medidas simples:

  • Explicar concretamente o que mudou no trabalho, em vez de simplesmente atribuir a mudança à IA.
  • Reconhecer outros factores que contribuíram para os despedimentos, tais como a expansão excessiva, a pressão sobre os custos ou as alterações estratégicas.
  • Mostrar as medidas de mitigação: como a empresa tentou redesenhar funções, realocar pessoas ou requalificar os colaboradores afectados.
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