Já ouviu falar em “great resentment”? Os chefes estão a vingar-se dos trabalhadores pela “grande demissão”

Human Resources
28 de Agosto 2025 | 09:40

Uma mudança drástica de poder no local de trabalho está em curso. O chefe está de volta ao comando, de uma forma que se resume a cinco simples palavras: “Quem manda aqui sou eu”. É a sequência da “great resignation” (grande demissão), quando a escassez de mão-de-obra obrigou os líderes a desembolsar aumentos salariais e bónus de contratação. Chegou a Era do Grande Ressentimento (“great resentment”), reporta a Fortune.

 

Este movimento é mais do que uma reacção às políticas de DEI ou ESG, do que se o trabalho remoto ou flexível é o mais produtivo. Trata-se de empregadores que recuperam o poder dos trabalhadores. Trata-se de vingança — pelos excessos de trabalhadores que se esqueceram de quem estava realmente no comando.

Pôr um travão nos salários

Durante a pandemia, especialmente entre 2021 e meados de 2023, as empresas que lutavam para preencher vagas enfrentaram aumentos salariais exorbitantes. Os colaboradores que mudavam de emprego regularmente viam aumentos salariais de cerca de 16%, principalmente em sectores como a hotelaria e o retalho. Os trabalhadores aproveitaram a sua nova vantagem, abandonando muitas vezes os empregos em massa para procurar melhores ofertas — um fenómeno que ficou conhecido como a “grande demissão”.

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Mas, à medida que a poeira foi assentando, o pêndulo começou a oscilar novamente. Com a procura a diminuir e os despedimentos a aumentar até 2024, o poder negocial está a regressar aos empregadores. De acordo com um relatório da ZipRecruiter de 2023, quase metade das empresas norte-americanas inquiridas admitiu ter reduzido os salários anunciados para determinadas funções, justificando as reduções como uma redefinição após as elevadas contratações dos anos anteriores.

Um mercado de trabalho em crise, com menos vagas e aumento do desemprego, deixou os trabalhadores com menos poder de influência — e os patrões, com a vantagem.

O regresso ao escritório: a disciplina por trás da regra

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Talvez a expressão mais visível da “vingança” dos empregadores seja exigência de regresso ao escritório (RTO). O que começou por ser uma mudança gradual no final de 2023, em 2025, consolidou-se em políticas inflexíveis. Os CEO insistem em semanas de trabalho de cinco dias no escritório; os trabalhadores que resistem enfrentam medidas disciplinares ou despedimento. Embora algumas empresas mencionem a colaboração e a produtividade, na verdade servem um propósito diferente.

Os estudos confirmam o que muitos trabalhadores suspeitavam: para alguns empregadores, o RTO é uma redução de pessoal disfarçada. Os executivos sabem que forçar os colaboradores remotos a regressar a ambientes de escritório rígidos levará a demissões, reduzindo assim a folha de pagamentos sem despedimentos explícitos. Esta táctica afectou desproporcionalmente os colaboradores que prosperaram com a flexibilidade da era da pandemia e é considerada por muitos uma retaliação por anos de autonomia dos trabalhadores.

Cortes salariais e “ajustes”: recuar no tempo

Além do RTO, as empresas estão a inverter discretamente os aumentos salariais. Os sectores mais afectados pela grande demissão — hotelaria, retalho e saúde — começaram a congelar os salários ou a implementar cortes salariais graduais. Talvez os CEO estejam a reagir porque não estão tão seguros: em 2023 o turnover no cargo mais alto atingiu o nível mais elevado em cinco anos e tem-se mantido em alta desde então.

Algumas empresas justificam as reduções alegando que o crescimento dos salários superou a inflação, enquanto outras simplesmente citam a necessidade de redefinir a remuneração para os padrões pré-pandemia. O resultado? Os trabalhadores vêem-se agora confrontados com salários mais baixos para os mesmos cargos, se tiverem a sorte de os manter.

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Porém, a “desforra” não ficou sem resposta. Os trabalhadores descontentes, especialmente a Geração Z e os Millennials, estão a alimentar uma nova tendência: o “revenge quitting”. Ao contrário da “demissão silenciosa”, a demissão por vingança é abrupta e frequentemente programada para causar o máximo de perturbação na empresa.

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