Após a “micro-reforma”, os “micro-turnos” são a mais recente tendência dos trabalhadores da Geração Z, avança o Indy100.
Micro-turnos (micro-shifts no original) são períodos de trabalho curtos de seis horas ou menos e que visam ser mais flexíveis. O objectivo é garantir que os trabalhadores têm um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, para que possam gerir outras responsabilidades na vida, como educação ou assistência. Esta tendência foi relatada na análise recente “The Big Shift: U.S. 2025”, da Deputy, que descobriu que este tipo de trabalho flexível é popular entre a Geração Z, com 51,5% a seguir a norma.
A conhecida frase “work smarter, not harder” resume a mentalidade por trás da mudança no pensamento da geração mais jovem, especialmente com o aumento contínuo do custo de vida e a incerteza geral do mercado de trabalho.
Embora a Geração Z possa estar a contrariar a tendência, também foram observadas mudanças médias mais curtas entre os Baby Boomers e a Geração Alfa, de acordo com Silvija Martincevic, CEO da Deputy, que, à Forbes, descreveu esta tendência como uma «mudança geracional».
De acordo com o relatório do Deputy, tanto o sector da hotelaria como o dos serviços são os que mais “micro-turnos” vêem, pois há menos regulamentação noutras áreas, como a saúde.
Demograficamente, as mulheres em empregos de serviços com salários mais baixos constituem a maioria das trabalhadoras em “micro-turnos”, sendo que 68% da Geração Z e 25% dos Millennials o fazem para ajudar a aliviar a pressão económica.
Há factores que contribuíram para o aumento desta tendência, diz Martincevic. A pressão económica é o primeiro, e os trabalhadores arranjam vários empregos para sobreviver, pelo que os “micro-turnos” são vitais para quem quer conciliar os vários empregos. A tecnologia é o segundo factor, à medida que a IA vai sendo implementada nas vidas profissionais, e Martincevic destaca o «papel transformador» que está a ter na força de trabalho.
«Os nossos dados mostram que 45% dos trabalhadores relatam um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional graças à programação orientada por IA, reflectindo como a tecnologia está a ser aproveitada para aumentar a flexibilidade e a produtividade em sectores baseados em turnos. No retalho e na logística, 82% das grandes empresas contam agora com ferramentas de programação de IA para optimizar as operações e aumentar a satisfação dos colaboradores», explica.
Enquanto isso, os trabalhadores em micro-turnos vêem a implementação da IA como algo positivo, pois 63% acredita que é uma ferramenta que pode melhorar a sua função, em vez de a substituir. O aumento de pessoas que desejam serviços que exigem intervenção humana, como saúde, assistência social e hotelaria, está a criar posições mais sustentáveis.
O lado positivo dos micro-turnos
Paul Farnsworth, presidente da Dice, acredita que os “micro-turnos” podem permitir aos trabalhadores qualificarem-se graças à flexibilidade que este tipo de trabalho oferece. «Com o surgimento da IA, esta necessidade de aprendizagem contínua e de foco constante na mudança de carreira para servir o mercado é mais importante do que nunca.»
Martincevic realça que já estamos a adoptar os “micro-turnos” com o trabalho a partir de casa, onde os trabalhadores podem trabalhar enquanto realizam tarefas domésticas, como lavar roupa, lavar louça, etc. No geral, acredita que os “micro-turnos” vão «desafiar as suposições ultrapassadas sobre o trabalho e libertar um enorme conjunto de talentos inexplorados».














