Já ouviu falar em “reverse recruiting”? É a nova tendência de um mercado de trabalho em contraciclo

Conseguir um emprego de escritório está a tornar-se tão difícil que os candidatos — e não as empresas — estão a pagar a recrutadores para que lhes façam o matching com as vagas.

Normalmente, as empresas que querem encontrar talento para vagas difíceis de preencher contratam recrutadores. Contudo, o processo está a inverter-se e agora são os candidatos a contratar recrutadores para os ajudar a destacar-se num mercado competitivo, avança o The Wall Street Journal.

Daniel Bejarano inscreveu-se no serviço de “recrutamento inverso” Refer no ano passado. O agente de IA da Refer “ligou-o” a um executivo da Golden, uma empresa que procurava um engenheiro de plataforma e um cientista de dados. Bejarano recebeu a oferta após várias entrevistas e, seguidamente, pagou à Refer 20% do seu primeiro salário assim que o dinheiro caiu na conta bancária. «Foi revigorante não me perder num mar de candidatos classificados por um sistema de rastreio de candidatos», afirmou.

O modelo de recrutamento inverso é mais um sinal dos crescentes desafios para quem procura emprego. Isto significa que os recrutadores que procuram clientes podem ter mais sorte se se apresentarem aos candidatos em vez dos empregadores.

Os modelos variam, mas muitos exigem que os candidatos paguem parte do seu salário assim que aceitam um emprego. Outros cobram uma taxa fixa para enviar candidaturas em nome do candidato. Estes serviços vão além do coaching de carreira ou da revisão de CV e, por vezes, envolvem o recrutador a candidatar-se em nome do candidato.

A Refer trabalha actualmente com candidatos de 20 universidades, mas em breve irá expandir-se para qualquer pessoa interessada em tecnologia. A empresa mostra a estes candidatos recrutadores que demonstraram interesse nos seus perfis. Os candidatos podem também pedir ajuda a uma agente de IA chamada “Lia”, que está a fazer mais de 20 apresentações por dia, e uma pequena percentagem resulta em contratações, disse Andre Hamra, CEO da Refer.

A Reverse Recruiting Agency oferece serviços de coaching de carreira e elaboração de currículos e perfis de LinkedIn, cobrando aos candidatos 1.500 dólares em taxas mensais. A agência envia até 100 candidaturas por semana — incluindo currículos personalizados — e contacta vários colaboradores de cada empresa para a qual o candidato se candidata. Após aceitar um emprego, o cliente paga 10% do salário do primeiro ano, menos a taxa do primeiro mês paga à agência.

O fundador Alex Shinkarovsky contratou 15 pessoas no Sudeste Asiático para encontrar vagas e personalizar os currículos dos candidatos e a inteligência artificial automatiza o envio de mensagens personalizadas para as pessoas da empresa-alvo.

«Algumas pessoas simplesmente não têm tempo para isso, outras estão com medo, outras estão desempregadas e na sua última tentativa», afirmou.

A agência já colocou 20 dos 44 clientes anteriores em vagas e a equipa está actualmente a trabalhar com 22 candidatos a emprego. Segundo Shinkarovsky, o valor é reembolsado se um candidato não conseguir nove entrevistas nos primeiros três meses.

Manter o número de candidatos pequeno é fundamental para um serviço personalizado, garante Shinkarovsky. Até porque, se crescer demasiado, «as empresas vão perceber que não é o candidato que está a contactar».

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