À medida que o final do ano se aproxima, começa a observar-se aquela que poderá ser uma das próximas grandes tendências do mercado de trabalho em 2026: a insatisfação com os turnos (“shift sulking” no original), revela a Fast Company.
«A insatisfação com os turnos ocorre quando os trabalhadores chegam ao trabalho já exaustos porque as condições que os rodeiam — horários imprevisíveis e inconsistentes e exigências crescentes — são simplesmente insustentáveis», afirma Silvija Martincevic, CEO da Deputy, uma plataforma de gestão de força de trabalho para trabalhadores pagos à hora.
«Como processamos milhões de turnos na nossa plataforma todas as semanas, a Deputy identifica esta tensão profunda nos dados muito antes de se tornar notícia», acrescenta Martincevic.
«A insatisfação com os turnos não é difícil de identificar num supermercado, num café ou numa loja. Trabalhadores sobrecarregados, a lidar com clientes difíceis e equipas com poucos colaboradores.» A diferença entre um trabalhador que se sente apoiado e um que está simplesmente a tentar sobreviver a esse dia está estampada no rosto, diz ela.
«[Num momento em que] 31% dos trabalhadores norte-americanos relatam sentir-se desligados, a ‘insatisfação com os turnos’ é um lembrete claro de que a força da nossa economia é inseparável da estabilidade do trabalhador por turnos», afirma Martincevic. «Isto não é apenas um desafio de retenção. É um desafio de produtividade que limita o potencial colectivo.»
De acordo com dados da Deputy, nos estados onde a estabilidade no horário de trabalho é a norma, a felicidade dos trabalhadores da linha da frente atinge os 98%, em comparação com apenas 60% onde é imprevisível. E as empresas devem prestar atenção a estes dados, pois os estudos mostram que os trabalhadores motivados têm um melhor desempenho.
Uma das grandes tendências do mercado de trabalho em 2026?
Na actual economia de trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana, mais norte-americanos estão a trabalhar por turnos e a assumir vários empregos, ou o chamado poliemprego, para conseguirem pagar as contas enquanto lidam com o aumento dos custos e a inflação mais elevada.
«Não vemos a insatisfação com o turno como um problema temporário; é o custo humano de um atrito estrutural mais profundo no mercado de trabalho actual — e todos os indicadores apontam para a sua intensificação em 2026», afirma Martincevic. «As empresas estão a pedir às equipas os mesmos resultados, apesar da redução do pessoal e da procura volátil. Esta pressão recai directamente sobre a linha da frente.»
De acordo com o relatório Better Together da Deputy, embora a IA possa automatizar tarefas e melhorar a visibilidade, a tecnologia por si só não resolverá o problema — isto exige uma mudança estrutural que dê aos trabalhadores o que eles desejam: horários estáveis, cargas de trabalho equilibradas e comunicação transparente.














