
Já ouviu falar no mais recente desafio “não fazer nada”? Especialista explica os benefícios
Embora por vezes seja difícil ficar parado e não fazer nada para se ocupar, alguns especialistas afirmam que o tédio pode ser benéfico, avança o The Independent.
As redes sociais lançaram recentemente o desafio “não fazer nada” (do-nothing challenge), no qual os participantes se filmam a si próprios sentados, entediados, enquanto optam deliberadamente por não olhar para qualquer tipo de ecrã ou mesmo para um livro.
De acordo com Niro Feliciano, psicoterapeuta especializada em ansiedade, pode haver benefícios em fazer uma pausa no mar constante de informação a que as pessoas estão expostas devido à tecnologia.
«As nossas mentes estão constantemente a mil, por isso, acho que este desafio é óptimo porque realmente obriga as pessoas a treinarem as suas mentes para ficarem quietas. E sabemos que muita coisa acontece no cérebro e no corpo quando encontramos este estado de quietude», disse Feliciano em entrevista ao Today.com.
A especialista explicou que a constante procura por novas informações, como as notificações, proporciona ao cérebro uma dose extra de dopamina, a hormona do bem-estar, o que reforça o desejo por mais de cada vez que é usada.
«Obtemos estes elevados níveis de dopamina com a constante procura de novas informações, sejam elas provenientes das redes sociais, das notificações de mensagens de texto ou da verificação de e-mails. Seja o que for, dá-nos uma dose de dopamina porque não toleramos a imobilidade. Quase entramos em abstinência sem a dopamina.»
A tendência ajuda a reduzir a ansiedade ao eliminar as redes sociais, o que diminui o FOMO, ou “medo de ficar de fora”.
Para obter os maiores benefícios do desafio, Feliciano sugere optar por não se filmar a participar ou publicar o vídeo, para se desligar completamente do telemóvel. Para aqueles que têm dificuldade com a ideia de estar sentados sem fazer nada, a sugestão é começar por tirar alguns minutos para olhar pela janela ou tomar um duche mais demorado do que o habitual.
Feliciano acrescentou que incentivaria as pessoas a «deixarem a mente vaguear».
Se ter o telemóvel por perto for absolutamente necessário, seja para a escola ou para o trabalho, pode ainda usufruir dos benefícios do desafio “não fazer nada” silenciando as notificações, activando o modo escuro, deixando o ecrã a preto e branco para evitar sentir-se atraído pelas cores e mantendo o telemóvel longe da cama enquanto dorme.