Joana Couto, Prio: Inadiável urgência de repensar como lideramos

Human Resources
16 de Setembro 2025 | 12:50

No âmbito do especial dos 15 anos da Human Resources, desafiámos responsáveis de empresas a perspectivarem os pontos-chave da liderança para os próximos 15 anos.

 

Por Joana Couto, Directora de Recursos Humanos da Prio

Liderar melhor. Todos os dias. Falar de liderança é falar do futuro. Mas também é falar do presente, com olhos bem abertos. É falar de escolhas. De legados. De como influenciamos os caminhos que se desenham à nossa volta – pelas decisões que tomamos, pelas relações que construímos, pelos espaços que abrimos para que outros possam crescer.

Ao celebrarmos os 15 anos da Human Resources, celebramos também a urgência de liderar com consciência, com coragem e com sentido de responsabilidade. Porque o futuro não se herda: o futuro constrói-se – e liderar é, no fundo, assumir esse compromisso de o moldar, todos os dias.

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Hoje, mais do que nunca, liderar é um verbo que exige consciência. Consciência do impacto que geramos – nas pessoas, nas equipas e nas culturas que promovemos. Consciência de que liderar não é um privilégio, mas uma responsabilidade exercida com intenção, humildade e visão, que articule o presente com o futuro, o individual com o colectivo.

Estamos onde estamos – e isso importa. Na Prio, fizemos progressos na profissionalização da liderança, no foco no propósito e na inclusão de temas como saúde mental, diversidade ou equilíbrio vida-trabalho. Este nosso percurso tem-se traduzido num investimento consistente nas áreas da saúde ocupacional e da responsabilidade social interna. Acreditamos que liderar bem começa por cuidar bem. E temos dado corpo a essa visão através do Espaço Bem-Estar PRIO, de serviços especializados (psicologia, fisioterapia, nutrição, medicina curativa) e de conteúdos de saúde e bem-estar acessíveis a todas as pessoas da organização.

Também acreditamos que ambientes saudáveis só existem quando são verdadeiramente inclusivos. Por isso, lançámos a PRIO Diversidade+: um grupo de trabalho multidisciplinar que desafia preconceitos, promove o diálogo e impulsiona a inclusão – todos os dias.

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Mas o mundo move-se depressa. E a liderança que nos trouxe até aqui não será, por si só, suficiente para nos levar adiante. As expectativas mudaram. Os contextos tornaram-se mais exigentes. A urgência de repensar como lideramos é inadiável.

A grande disrupção? A consciência colectiva da complexidade. Vivemos uma era de aceleração – tecnológica, climática, energética e social. Mas também de desafios híbridos, onde liderar implica navegar entre o conhecido e o incerto, sustentar perguntas difíceis, manter o diálogo aberto e preservar a confiança mesmo na ambiguidade.

Na Prio, temos enfrentado esta complexidade com os pés na realidade e os olhos no futuro. A cibersegurança tornou-se central na forma como gerimos risco. A inteligência artificial já habita o nosso quotidiano e obriga a novas competências, éticas e humanas. E, na sustentabilidade, temos ampliado a reflexão estratégica com acções como as Masterclasses em ESG (Environmental, Social and Governance) e momentos de co-criação com os nossos líderes sobre o futuro da mobilidade e da energia. Tudo isto porque acreditamos que liderar é antecipar o futuro – e compreendê-lo com mais profundidade.

O maior salto que enfrentamos não será apenas tecnológico, será de maturidade. A capacidade de integrar múltiplas dimensões, de escutar com empatia e de decidir com propósito tornou-se estrutural.

O líder do futuro – que já é o líder do presente – precisa de novas competências: escuta activa, curiosidade genuína, coragem para mudar de ideias, e capacidade de tomar decisões que equilibrem o imediato com o estrutural. Precisa, acima de tudo, de saber que não lidera sozinho.

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Liderar será cada vez mais sobre criar as condições para que outros possam crescer, brilhar, contribuir. Com ética. Com empatia. Com confiança.

E quem será o líder ideal em 2030? Alguém que partilha o palco, que multiplica talento e que cuida da cultura como quem cuida de um legado vivo. Um líder que sabe alinhar estratégia com humanidade, metas com significado e números com narrativas que inspiram. Que aprende com quem sabe diferente, resiste à urgência e protege o tempo da reflexão. Um líder guiado pelo propósito e que sabe que os verdadeiros líderes não constroem apenas empresas: ajudam a construir futuros onde vale a pena viver e trabalhar.

E o que nos pode travar? A tentação do controlo, a obsessão pelo imediato, a crença de que liderar é apenas seguir processos. Os desafios são muitos: estruturas rígidas, lideranças cansadas, equipas desmotivadas. Mas o maior obstáculo pode ser este: a nossa resistência em desaprender. Em largar o que já não serve. Em abrir espaço ao novo.

Na Prio, temos aprendido que liderar é estar em construção contínua. Evoluímos quando nos conectamos com o nosso propósito – essa energia que verdadeiramente nos move. Evoluímos quando cuidamos – das pessoas, das relações, do futuro. E evoluímos, sobretudo, quando aceitamos que não há fórmulas perfeitas, mas há um compromisso real em liderar melhor. Todos os dias.

Porque liderar é, antes de tudo, um acto profundamente humano. É sobre caminhar com os outros – não à frente, mas ao lado. É sobre gerar energia e não apenas geri-la. É sobre deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. E é por isso que, na Prio, continuamos a escolher este caminho: o de liderar com consciência, com intenção e com futuro dentro.

Que os próximos 15 anos tragam novos desafios, sim, mas também líderes mais preparados, mais conectados, mais humanos. Porque é na forma como escolhemos liderar hoje que começa o amanhã que ambicionamos. Porque o futuro não se adivinha, constrói-se. E começa na forma como escolhemos liderar. Hoje.

Este artigo faz parte do Tema de Capa publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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