Joana Pita Negrão, Dils: O trabalho não acaba, transforma-se

Human Resources com Lusa
3 de Março 2026 | 12:20

Joana Pita Negrão, People and Culture director da Dils afirma que «as pessoas acreditam na mudança, mas tendem a vê-la acontecer mais nos outros do que em casa, revelando um clássico desalinhamento entre a visão estratégica e a realidade organizacional».

«Os dados são claros: o mundo do trabalho não vai “acabar”, mas vai deixar muita gente desconfortável. Quase 90% dos respondentes antecipam mudanças relevantes a médio prazo. A maioria fala em transformação significativa ou em mudanças profundas com preservação do essencial. A ideia de que “vai ficar tudo mais ou menos igual” é residual.

Curiosamente, quando o foco passa do mundo em geral para a própria empresa, o discurso abranda. As pessoas acreditam na mudança, mas tendem a vê-la acontecer mais nos outros do que em casa, revelando um clássico desalinhamento entre a visão estratégica e a realidade organizacional.

Quanto aos principais impactos, destacam-se três eixos fortes:

• Bem-estar e flexibilidade deixam de ser benefícios simpáticos e passam a requisitos centrais (57%);

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• A requalificação contínua torna-se parte do dia-a-dia (46%), reflectindo a redução do “prazo de validade” das competências (34%);

• A inteligência artificial e os algoritmos ganham peso, tanto na execução de tarefas (37%) como na tomada de decisão (37%).

 

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Já as narrativas mais extremas (o fim das hierarquias, as semanas mais curtas e o desaparecimento do trabalho) não convencem. A mudança será profunda, mas pragmática.

Por fim, a globalização do talento é vista maioritariamente como positiva para Portugal, sobretudo enquanto país para viver (43%) e trabalhar (34%), embora exista uma minoria que antecipa riscos de perda de atractividade (18% no total).»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 182) da Human Resources, no âmbito do seu LXIII Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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