Jornalismo português está a perder leitores. Investigadora revela porquê

Uma investigadora do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, concluiu que o jornalismo português está a perder leitores, sobretudo entre os mais novos, nomeadamente por falta de interacção com o público.

Human Resources com Lusa
28 de Setembro 2026 | 19:20
Jornalismo português está a perder leitores. Investigadora revela porquê

Segundo Aldina Margato, autora do estudo “A Reinvenção do Jornalismo a Partir das Comunidades Online” e professora naquela instituição de ensino de Coimbra, não é a tecnologia que está a afastar o público do jornalismo, mas a sensação de que, dentro das redações, ninguém liga ao que pensam os leitores.

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«As redacções continuam a tratar o leitor como um espetador, quando o futuro do jornalismo depende de transformar os seus destinatários em participantes», afirmou a investigadora naquele estudo.

De acordo com a investigação, seis em cada dez jovens dizem já não querer saber das notícias e três em cada quatro, entre os 18 e os 24 anos, informam-se mais nas redes sociais do que nos sites dos jornais, enquanto mais de metade diz-se saturada da negatividade e considera que os média dão demasiado destaque aos políticos e pouco às pessoas comuns.

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A investigação analisou os hábitos de consumo de notícias de 174 jovens entre os 18 e os 24 anos, avaliou os dez maiores sites noticiosos portugueses, entrevistou jornalistas e acompanhou durante nove meses uma comunidade online com 240 mil membros.

A investigadora Aldina Margato concluiu que os meios de comunicação adotaram as ferramentas digitais do século XXI, mas continuam a utilizá-las sobretudo para distribuir notícias, em vez de promover o diálogo com quem as lê.

A autora do estudo considerou que a confiança do público, mais do que a tecnologia, será determinante para a relevância futura do jornalismo e recomendou «que a relação com os leitores deixe de ficar ao acaso e passe a constar dos próprios códigos da profissão».

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«As ferramentas do século XXI já estão nas redações, só falta usá-las para fazer o jornalismo que o século XXI pede: um jornalismo que escute, envolva e construa relações de confiança com quem o lê», concluiu.

Para Aldina Margato, «o espaço para uma nova relação entre o jornalismo e o público existe, só não está a ser usado», apesar de estar à distância de um clique.

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Ao analisar os dez maiores sites noticiosos portugueses, a investigadora registou que as ferramentas que permitiriam ao leitor reagir, comentar ou perguntar estão quase sempre escondidas e, na maior parte das vezes, ausentes.

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«Mesmo os dois sítios que considera mais bem preparados – o Observador e o Público – aproveitam apenas 17 das 27 possibilidades de interação identificadas. Nos restantes, o leitor quase não tem como interagir ou responder», evidenciou.

Através do estudo recomenda-se a criação de comunidades de notícias em torno de temas que interessem mesmo aos leitores, incentivos à reação do público e o uso de uma linguagem simples que conduza depois às peças mais desenvolvidas, além de formação para os jornalistas comunicarem no digital, gerirem comunidades e levarem os cidadãos para dentro da conversa.

«O maior concorrente do jornalismo já não são as redes sociais, é a incapacidade de criar relações de confiança», avisou Aldina Margato.

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