A maioria dos jovens europeus prefere viver em democracia, mas mais de um em cada cinco admite escolher um governo autoritário, revela um estudo do instituto YouGov para a Fundação Tui, que financia projectos dedicados à juventude na Europa.
Mais de metade (57%) dos jovens na Europa prefere sem reservas a democracia a outras formas de governo, com o nível mais elevado de aprovação na Alemanha (71%).
Os jovens tornaram-se mais críticos em relação à imigração, com 38% a considerar que deveria ser mais restrita. Em 2021 a percentagem era de 26%.
«Numa comparação entre países, as atitudes mais céticas encontram-se na Polónia, Grécia e Espanha», sendo significativamente menor em Itália, que também é fortemente afetada pela migração.
O estudo revela também uma considerável insatisfação com o funcionamento do respetivo sistema político.
Apenas 6% dos inquiridos afirmam que o sistema político do seu país funciona perfeitamente bem e não precisa de ser alterado. Também na Alemanha, a percentagem é de apenas 9%.
Para a maioria dos jovens, a continuação dos seus países como membros da União Europeia (UE) não é tema de debate, com 66% a classificar a adesão como boa. Na Alemanha esse valor chega aos 80%.
No entanto, 40% dos inquiridos afirmam que o funcionamento da UE não é particularmente democrático; 53% criticam a UE por estar demasiado preocupada com pequenos pormenores em vez de se concentrar no essencial e 51% concordam com a afirmação “A UE é uma boa ideia, mas é muito mal implementada”. Os gregos são os mais insatisfeitos.
Os jovens sentem-se cada vez menos representados pelo Parlamento Europeu. Em 2019, 21% dos inquiridos admitiram sentir-se fortemente ou muito fortemente representados pelos eurodeputados, mas este número desceu agora para 15%.
Apenas 37% descrevem a sua situação financeira como (bastante) boa, 66% não se sentem seguros nas ruas à noite, 53% não se sentem seguros nas discotecas e nos pubs. Portanto, há muito a fazer.
O estudo aponta ainda o espetro político em que se situam os jovens europeus com 19% à direita, enquanto há quatro anos eram 14%. Um terço (33%) vê-se no centro político e 32% descrevem-se como sendo de esquerda. Os restantes 16% não especificaram ou não sabem.
A Fundação Tui tem vindo a realizar este estudo desde 2017. Este ano, foram inquiridas 6700 pessoas entre os 16 e os 26 anos na Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Itália, Grécia e Polónia.














