Numa escala de um a cinco, os estudantes de Economia e Gestão inquiridos atribuíram uma média de 4,40 às competências que consideram ser esperadas pelos empregadores. Quando avaliaram as suas próprias competências, a média desceu para 4,08. E, quando questionados sobre a capacidade de corresponder às expectativas que atribuem ao mercado de trabalho, o valor voltou a baixar, para 4,04.
Os resultados revelam, assim, um desfasamento entre aquilo que os estudantes percepcionam como exigência do mercado de trabalho e a confiança que têm na sua capacidade de responder a essa exigência. O estudo não avaliou diretamente os empregadores, pelo que os dados não permitem concluir que exista um défice objectivo de competências nos estudantes. Permitem, contudo, identificar uma diferença relevante entre a percepção das exigências profissionais e a autoavaliação dos estudantes.
A gestão do tempo surge como uma das áreas onde esse desfasamento é mais evidente. Os estudantes atribuem-lhe uma importância média de 4,61, quando questionados sobre as competências que consideram que os empregadores esperam dos jovens à saída do ensino superior, e avaliaram a sua própria competência nesta área em 3,95. Nas competências profissionais, a diferença é ainda mais acentuada: 4,22 de expectativa face a 3,48 de autoavaliação.
Também o pensamento estratégico e as competências de apresentação revelam diferenças relevantes entre aquilo que os estudantes consideram ser valorizado pelo mercado e a confiança que têm nas próprias capacidades.
A experiência profissional surge como um dos factores associados a maiores níveis de confiança nas próprias competências. Os estudantes com mais de seis meses de experiência profissional avaliam as suas competências profissionais em 4,19, enquanto entre os estudantes sem experiência a média é de 3,13.As diferenças verificam-se também noutras áreas, como comunicação, criatividade e apresentação. No caso das competências profissionais, a diferença entre estudantes com e sem experiência apresenta uma dimensão particularmente elevada.
Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação de causalidade entre experiência profissional e desenvolvimento de competências, os dados sugerem que o contacto com contextos reais de trabalho pode contribuir para que os estudantes tenham uma percepção mais concreta das suas capacidades.
Esta percepção é também visível na forma como os estudantes identificam os espaços onde as soft skills são desenvolvidas. 89,74% consideram que o trabalho constitui um espaço de desenvolvimento destas competências, enquanto 73,61% atribuem esse papel à escola
O estudo analisou 22 competências transversais, incluindo comunicação, pensamento crítico, liderança, trabalho em equipa, pensamento estratégico, gestão do tempo, planeamento e organização, apresentação, resolução de problemas, criatividade, flexibilidade, gestão do stress e inteligência emocional.
Os resultados apontam para a necessidade de tornar o desenvolvimento destas competências mais integrado no percurso académico, não necessariamente através da criação de uma disciplina específica de soft skills, mas através de oportunidades para as praticar, observar e avaliar.
Entre as propostas apresentadas pelos investigadores estão a integração destas competências nos objectivos de aprendizagem, a aproximação da avaliação académica a situações profissionais e a disponibilização de feedback mais explícito aos estudantes.
A colaboração entre instituições de ensino superior e empregadores poderá igualmente contribuir para tornar mais concretas competências frequentemente descritas através de conceitos genéricos como “boa comunicação”, “proactividade” ou “resiliência”, transformando-as em comportamentos observáveis e passíveis de ser desenvolvidos.
O estudo “Students and employers perceptions differential on soft skills: An analysis for university students”, desenvolvido por Margarita Carvalho, Mónica Azevedo e Luís Pacheco, foi publicado em 2026 na revista científica Industry and Higher Education e analisou as percepções de 384 estudantes de Economia e Gestão da Universidade Portucalense sobre 22 competências transversais.


















