O envolvimento dos trabalhadores continua a ser um dos indicadores mais valorizados pelas organizações e frequentemente associado à retenção de talento. No entanto, os resultados do estudo Gen@Work sugerem que sentir-se envolvido no trabalho não significa, necessariamente, querer permanecer na mesma organização a longo prazo.
Desenvolvido pela UPPartner, o estudo analisou a perspectiva de profissionais de Recursos Humanos e trabalhadores, entre os 25 e 35 anos, relativamente à experiência de trabalho, onboarding, proposta de valor ao colaborador e práticas de gestão de talento.
Os resultados revelam níveis moderadamente positivos de envolvimento e propósito, com os trabalhadores a atribuírem uma média de 4,12 em seis a esta dimensão. O crescimento futuro apresenta também uma avaliação positiva, registando uma média de 4,04 em seis.
Ainda assim, os dados mostram que envolvimento e intenção de permanência nem sempre caminham lado a lado. Os trabalhadores registam uma média de 3,48 em seis na afirmação “penso frequentemente em mudar de emprego” e 3,65 em seis na afirmação “é provável que procure outro emprego nos próximos 12 meses”.
Para Teresa Sabino, directora de Recursos Humanos da UPPartner, estes resultados mostram que o desafio da retenção vai muito além do envolvimento dos trabalhadores. «Durante muitos anos, o engagement foi visto como um dos principais indicadores de retenção. O que este estudo sugere é que a realidade é mais complexa. As pessoas podem sentir-se envolvidas, identificar-se com o seu trabalho e reconhecer valor naquilo que fazem, mas isso não elimina automaticamente dúvidas sobre o seu futuro profissional.»
Os resultados ajudam também a compreender alguns dos factores que continuam a influenciar a intenção de mudança, 88,1% dos trabalhadores identificam salário e benefícios insuficientes como um dos principais motivos para considerar uma saída, enquanto 64,3% apontam limitações nas oportunidades de progressão e desenvolvimento de carreira.
Segundo Teresa Sabino, estes dados reforçam a importância de uma proposta de valor equilibrada e coerente. «O envolvimento continua a ser fundamental, mas não pode ser visto de forma isolada. As pessoas procuram cada vez mais uma combinação entre propósito, desenvolvimento, reconhecimento, condições adequadas e perspetivas de crescimento. Quando uma destas dimensões falha, o envolvimento pode deixar de ser suficiente para garantir permanência.»
Para a responsável, esta realidade obriga as organizações a olhar para a retenção de forma mais abrangente, integrando fatores relacionados com liderança, comunicação, desenvolvimento e experiência do colaborador. “A retenção não se constrói apenas através da motivação. Constrói-se através da confiança que as pessoas têm no seu futuro dentro da organização. Quando existe clareza sobre oportunidades de crescimento, reconhecimento do contributo individual e uma experiência consistente ao longo do tempo, a probabilidade de permanência tende a aumentar.”
Num contexto de crescente competitividade pelo talento, os resultados do Gen@Work sugerem que as organizações poderão beneficiar de uma abordagem mais integrada à retenção. Mais do que garantir trabalhadores envolvidos, o desafio passa por assegurar que a experiência oferecida continua a responder às expectativas de desenvolvimento, reconhecimento e futuro que influenciam as decisões de permanência.
«O envolvimento é importante, mas não substitui a necessidade de construir uma proposta de valor credível e sustentável. As organizações que conseguirem alinhar estes fatores estarão mais preparadas para desenvolver relações duradouras com os seus trabalhadores», conclui Teresa Sabino.
















