O estudo nacional “Percepções dos Jovens Portugueses sobre Alterações Climáticas e Sustentabilidade”, da Fundação EDP em parceria com a The Equator Company, analisa a relação dos jovens portugueses entre os 18 e os 25 anos com as alterações climáticas, a sustentabilidade e a transição ecológica.
Uma das conclusões mais reveladoras é o facto de os jovens portugueses conhecerem o desafio das alterações climáticas, preocuparem-se genuinamente e declararem intenção de mudar. Mais de 86% reconhecem que a actividade humana é o principal factor responsável pelas alterações climáticas, 84% acreditam que estas vão afectar as suas vidas no futuro e 80% declaram-se dispostos a mudar comportamentos. Mas quando se olha para o que fazem na prática, verifica-se apenas uma média de cinco medidas de sustentabilidade adoptadas e 46% indicam ainda quatro, ou menos, a nível individual.
Quando questionados sobre quem deve combater as alterações climáticas em Portugal, os jovens colocam o Governo em 1.º lugar (30%), a União Europeia em 2.º (25%) e as Nações Unidas em 3.º (20%). Os cidadãos individuais ficam em 4.º lugar (11%). Esta resposta evidencia uma leitura estrutural do problema e o reconhecimento do papel central das decisões políticas e institucionais. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de uma responsabilidade partilhada, assente na acção articulada entre instituições públicas, empresas, comunidades e cidadãos, cujos contributos são complementares para acelerar a transição ecológica.
Entre os obstáculos à acção individual, os jovens referem preocupações com o custo de vida (48%) e o preço das soluções sustentáveis (46%), para além da percepção de que as mudanças estruturais dependem essencialmente de decisões políticas e económicas. Mencionam ainda a dificuldade em compreender como funcionam, na prática, os mecanismos de mitigação e transição, notando que o foco tem estado mais na sensibilização para os problemas do que nas soluções.
«Este estudo mostra que os jovens portugueses não estão desligados das alterações climáticas, reconhecem a sua urgência e querem fazer parte da resposta. O desafio está em criar condições para que essa consciência se transforme em acção, com oportunidades mais acessíveis, mais próximas dos territórios e com impacto visível. Para a Fundação EDP, este é também um compromisso com a educação, a participação cívica e uma transição mais inclusiva», refere Vanda Martins, directora de Inovação Social da Fundação EDP.
O estudo revela também uma geração mais informada e consciente, sem negacionismo, com apenas 3% a afirmarem que não procuram informação sobre o tema.
Além disso, os jovens auscultados prezam a moderação do discurso: procuram orientações directas e cientificamente sustentadas, e rejeitam discursos inflamatórios ou alarmistas. O debate é sentido como agressivo, polarizado (“ou és ou não és”) e político, o que gera fadiga e retracção. Preferem abordagens moderadas e mudanças incrementais que se integrem nas suas rotinas sem exigir sacrifícios extremos e referem a necessidade de narrativas positivas, com conteúdos práticos, curtos e orientados para impacto real, em detrimento de discursos extremos, moralistas e negativos.
A escola e a universidade são pontos de contacto relevantes sobre o tema das alterações climáticas: 56% dos jovens consideram que contribuíram para decisões mais informadas sobre sustentabilidade, mas o estudo aponta para uma abordagem ainda fragmentada e pouco ligada às dimensões económicas, tecnológicas e profissionais da transição ecológica.
O estudo identifica também uma oportunidade relevante no domínio profissional: 43% dos jovens afirmam que gostariam muito de trabalhar em áreas ligadas à sustentabilidade, mas muitos referem desconhecer profissões concretas ou percursos profissionais associados à transição ecológica. Esta falta de visibilidade limita a tradução do interesse em decisões reais de carreira.
«Os jovens portugueses demonstram ter uma leitura lúcida e estruturalmente madura do problema climático: entendem que a transição ecológica depende de decisões sistémicas, mais do que de escolhas individuais. O que falta não é consciência nem vontade, mas condições concretas para agir, nomeadamente menos barreiras económicas, mais soluções práticas e uma comunicação que troque o alarmismo por orientações reais», acrescenta Nathalie Ballan, administradora da The Equator Company.














