Jovens sentem-se mais ouvidos, mas maioria diz que é raro pedirem-lhes opinião

Margarida Lopes
16 de Setembro 2025 | 18:40

As crianças e jovens portugueses sentem-se cada vez mais ouvidos, mas a maioria ainda diz que é raro que os adultos lhes peçam opinião e muitos consideram que mesmo quando participam, a sua perspectiva não tem influência.

 

A conclusão é do inquérito “Tenho voto na matéria”, divulgado pela UNICEF Portugal, na data em que se assinalou o Dia Internacional da Democracia – ontem, dia 17 de Setembro.

Na terceira edição da consulta pública bienal que pretende “colocar crianças e jovens no centro do debate público”, a UNICEF Portugal ouviu 7417 pessoas, a esmagadora maioria entre os 10 e 20 anos de idade.

Face a 2021, aumentou a proporção de crianças e jovens que sentem que os adultos os querem ouvir frequentemente e que consideram que as suas opiniões são valorizadas, mas ainda representam uma minoria.

Continue a ler após a publicidade

Perto de sete em cada dez refere que os adultos nunca ou raramente lhes pedem opinião em decisões que afetam a sua comunidade e 53% consideram que, quando essa opinião lhes é pedida, raramente tem influência.

«As decisões políticas têm impacto direto na vida de cada criança, mas muitas vezes as suas perspectivas ficam de fora do debate público», sublinha a diretora executiva da UNICEF Portugal, Beatriz Imperatori, citada em comunicado.

De acordo com o estudo, apenas um terço das crianças e jovens sente total liberdade para partilhar as suas ideias e opiniões, sendo que cerca de metade não sabe como fazê-lo, não sente confiança por medo de ser gozado ou acha que não tem importância.

Continue a ler após a publicidade

Por outro lado, o inquérito procurou também perceber quais são as principais preocupações destas faixas etárias, e questões como a saúde mental, internet e redes sociais ou discriminação voltam a surgir entre as mais citadas.

Ao contrário das edições anteriores, no topo das preocupações dos mais novos surge agora a pobreza e o custo de vida.

«As crianças e os jovens em Portugal estão atentos ao contexto socioeconómico e sentem o impacto da pobreza e do custo de vida nas suas famílias e nas suas comunidades», sublinha a directora executiva.

Quando questionados sobre os problemas que mais os afectam diariamente, dominam as questões ambientais, como a poluição, o futuro do ambiente, a utilização excessiva de plásticos e os desastres climáticos, como incêndios e cheias.

Quanto a melhorias propostas para a comunidade, a maioria defende maior cuidado com o ambiente, mais atividades culturais e desportivas, mais espaços verdes e de lazer e melhor qualidade das escolas e dos serviços públicas.

Continue a ler após a publicidade

Outra das dimensões analisada é a perceção de segurança, e se 75% dizem sentir-se seguros na sua comunidade, pouco mais de metade (55%) tem a mesma sensação no ambiente online.

Independentemente do contexto, as raparigas demonstram ser mais cautelosas, enquanto as crianças mais novas revelam sentimentos de insegurança acrescida quando estão online.

A consulta pública questiona também os jovens sobre o uso dos telemóveis e muitos admitem que deve haver regras na escola, sendo essa a resposta mais frequente, depois de mais formação na escola sobre segurança online e aprender onde pedir ajuda se algo correr mal.

Criada em 2021, a iniciativa “Tenho voto na matéria” procura dar mais visibilidade às preocupações, prioridades, ideias e propostas dos mais novos e sensibilizar a sociedade e decisores políticos para a importância do seu envolvimento.

O inquérito foi realizado, em colaboração, pelo Grupo Consultivo de Crianças e Jovens da UNICEF Portugal e o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, e as respostas recolhidas entre 7 de Maio e 13 de Junho.

Partilhar


Mais Notícias