Juros voltam a subir e taxas fixam-se acima de 4% (valor mais elevado desde 2001). Como vão ficar as prestações da casa?

Human Resources
16 de Setembro 2023 | 11:00

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a subir as taxas de juro directoras em 25 pontos base esta quinta-feira. Assim, a principal taxa de refinanciamento – que tem efeitos sobre os créditos habitação – galopou para os 4,50%, o nível mais elevado desde Maio de 2001. E a taxa dos depósitos fixou-se em 4,00%, o nível mais elevado de sempre. O idealista explica o que vai mudar.

Com este aumento, a partir de 20 de Setembro de 2023, as três taxas de juro directoras vão passar a ser:

  • Taxa de juro das principais operações de refinanciamento passa de 4,25% para 4,5%, o valor mais elevado desde Maio de 2001;
  • Taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez passa de 4,50% para 4,75%, igualando o patamar de Outubro de 2008;
  • Taxa aplicada à facilidade permanente de depósitos passa de 3,75% para 4,00%, o valor máximo alguma vez registado.

«O BCE mantém a sua trajectória sem interrupções, transmitindo uma mensagem clara de que o seu objectivo principal é controlar uma inflação, que ainda se mantém demasiado elevada a nível europeu. São más notícias para quem possui crédito habitação e para aqueles que planeiam comprar casa através financiamento bancário, pois é provável que a Euribor reflicta rapidamente este aumento», declara Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/ créditohabitação em Portugal. «Resta saber como este último aperto afecta a actividade económica e a inflação, que são os indicadores que realmente nos dirão quando este ciclo de aumentos das taxas de juro directoras chegará ao fim», conclui o especialista.

Como vai ficar a prestação da casa?

Este aumento das taxas de juro por parte do BCE não são boas notícias para quem tem crédito habitação a taxa variável ou está a pensar contratar um.

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Além de a decisão do BCE voltar a agravar as prestações das casas dos créditos habitação de taxa variável (ou mista em período variável), também irá aumentar a dificuldade em aceder aos empréstimos e estimular as renegociações dos créditos, bem como as amortizações antecipadas – tendências bem visíveis em Portugal.

Esta nova subida vai dar impulso à subida da Euribor, que poderá ficar acima dos 4%, agravando ainda mais as prestações da casa das famílias. As previsões dos especialistas de mercado sugerem que a Euribor a 12 meses deverá manter-se nos 4,1% tanto em 2023, como no próximo ano. Até ao momento, a taxa diária para o prazo mais longo está acima dos 4,1%.: a espanhola Funcas estima que a média anual desta taxa se vai situar em 4,25% em 2023 e 4% em 2024. E o BBVA Research não descarta a hipótese de atingir os 4,5% nos próximos meses.

Portanto, se as taxas Euribor subirem até aos 4,25%, as prestações da casa dos novos créditos habitação de taxa variável deverão aumentar para os 828 euros mensais, tal como indicam as estimativas do idealista/créditohabitação, considerando um empréstimo de 150 mil euros, prazo de 30 anos e spread de 1%:

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  • Euribor a 12 meses: aqui a prestação da casa seria 17 euros superior face à prestação para um crédito habitação contratado em Setembro de 2023 (811 euros), que usou média mensal da Euribor de Agosto (4,073%);
  • Euribor a 6 meses: neste caso a prestação agravar-se-ia em 29 euros face à calculada para um empréstimo da casa contratado em Setembro (799 euros/mês);
  • Euribor a 3 meses: nesta taxa a prestação ficaria 43 euros mais elevada do que a calculada para um crédito habitação contratado em Setembro, cuja prestação foi de 785 euros mensais.

 

Quais os impactos no crédito habitação em Portugal?

Ao que tudo indica, a nova subida das taxas diretoras pelo regulador europeu vai continuar a ter impacto nos créditos habitação em Portugal à boleia da subida dos juros, reforçando várias tendências visíveis neste mercado:

  • Dificuldade em aceder ao crédito habitação continua: com a subida dos juros, os bancos portugueses estão a financiar menos empréstimos para comprar casa, tal como revela o Banco de Portugal (BdP), que também já avisou que o arrefecimento da procura deverá continuar, pelo menos, até ao terceiro trimestre de 2023.
  • Amortizações antecipadas no crédito habitação a escalar: este movimento disparou em 2023 e deverá manter-se, já que o Governo eliminou as comissões e impostos à amortização antecipada dos créditos a taxa variável e, agora, permite o resgate do Plano Poupança Reforma (PPR) para pagar a prestação ou amortizar o empréstimo. Assim as famílias conseguem baixar as prestações da casa ou até ficar livres da dívida à banca;
  • Renegociações dos créditos habitação em alta: dado que há cada vez mais famílias em dificuldade em pagar a prestação da casa devido à subida dos juros, as renegociações dos créditos habitação têm vindo a subir, sobretudo depois de o Governo ter criado novas regras para renegociar os créditos;
  • Procura de crédito habitação está a mudar: com a subida dos juros, as famílias estão a comprar casas mais baratas e a pedir créditos habitação de menor valor. Além disso, estão a dar maior valor de entrada no empréstimo e a optar cada vez mais por taxas mistas e fixas;
  • Oferta de crédito habitação adapta-se (e fica mais rigorosa):  com a procura de crédito habitação a descer e a mudar, os bancos tendem a adaptar a sua oferta para atrair clientes. Uma das formas é baixar o spread para créditos de risco médio. E também optam por criar ofertas de taxa mista mais atractivas, já que estão a ser mais procuradas. Por outro lado, para os empréstimos de maior risco – para famílias com menores rendimentos e garantias, por exemplo –, os bancos estão a optar por subir os spreads, de forma a evitar situações de incumprimento.

Portanto, o endurecimento da política monetária vai afectar mais as famílias com baixos rendimentos, uma vez que os altos preços das casas e dos juros, elevam as prestações para patamares incomportáveis, dificultando o acesso ao crédito habitação. Além disso, para estes casos, os bancos tendem a ser mais cautelosos em conceder empréstimos.

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