Learn to code or get coded. Ou como não ser substituído por um robot

Leonor Martins
19 de Dezembro 2019 | 09:31

O mantra de que, no futuro, todos precisaremos de aprender a programar ou seremos programados é cada vez mais recorrente e, na realidade, o cenário está longe de ser um exagero. O que fazer para não ser substituído por um robot?

 

Por Álvaro González, director-geral da Ironhack Lisboa

 

O relatório “The Changing Nature of Work and Skills in the Digital Age” da Comissão Europeia, de Agosto deste ano, aponta para estudos recentes que evidenciam que 47% do total de empregos nos Estados Unidos da América (EUA) correm o risco de automação nos próximos anos, enquanto que a proporção de empregos que poderão estar sujeitos a computorização ascende a 60% na União Europeia (EU).

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Alguns poderão dizer que estes dados estão sobrestimados e são demasiado alarmantes. Em todo o caso, é um facto que a automação e a inteligência artificial (IA) vão tomar centenas de milhares, senão milhões, de trabalhos nos próximos anos, enquanto um igual ou superior número de empregos serão criados do outro lado do jogo – desenvolvimento e programação desta mesma IA.

A curto-prazo, as posições mais afectadas serão os designados empregos de “colarinho azul”, associados a níveis de educação formal mais baixos ou que não envolvem uma interacção social relativamente complexa. Profissões como assistentes de preparação de alimentos, funcionários de limpeza, trabalhadores do sector mineiro, industrial, da construcção civil ou de transportadoras e motoristas, entre outras, estão já a ser automatizadas.

A médio e longo-prazo, sem margem para dúvidas, a automação vai desafiar todo e qualquer emprego. Cargos que requerem competências sociais, mas não propriamente uma educação formal, nas áreas das vendas, do atendimento ao cliente e do cuidado pessoal são os que se seguem na fila. Empregos mais qualificados (como gestores, professores, legisladores, médicos ou recrutadores, por exemplo) ainda estão a salvo, porém, não por muito tempo, ao contrário do que poderíamos ser levados a pensar.

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O que realmente precisamos de compreender é que aprender competências de programação não é mais uma opção, é a única opção. São elas que determinarão a perda e a criação de postos de trabalho e que moldarão o conteúdo e os métodos do nosso actual modo de trabalhar ao mudarem o que fazemos e como o fazemos.

O CEO e cofundador da Ironhack, Gonzalo Manrique, defende mesmo que «programar vai ser a competência do “colarinho azul” do século». Descodificando, ou se aprende a programar ou, muito possivelmente, nem sequer se será considerado para a vaga, por mais que se tenha lutado.

E é aqui que a educação desempenha um papel de extrema importância. O nosso sistema tradicional de educação não está a conseguir dar resposta, em tempo útil, às exigências e aos desafios do mercado de trabalho, resultando num descabido número recorde de estudantes universitários que se formam todos os anos quando a taxa de desemprego jovem está acima dos 18% em Portugal e dos 30% em Espanha, por exemplo.

Pessoalmente, acredito que os meus anos de faculdade foram decisivos para a pessoa em que me tornei e continuo a recomendar a experiência da universidade. No entanto, a aquisição de conhecimento apenas através da educação formal não será suficiente para nos oferecer novas oportunidades durante toda a nossa carreira profissional. As mudanças tecnológicas são exponenciais e o mercado de trabalho está a transformar-se mais rapidamente que nunca, o que torna imperativa a implementação de uma abordagem de aprendizagem contínua ao longo da vida.

Precisamos de um modelo de educação alternativa que reage a estas transformações e endereça verdadeiramente as necessidades do mercado, permitindo que o talento de topo e as empresas procedam a um re-skilling e/ou a um up-skilling, num curto período de tempo, com um retorno tangível para todos os stakeholders envolvidos.

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É isto que estamos a construir na Ironhack Lisboa, uma escola de formação em tecnologia dirigida a quem procura mudar de carreira e que tem como foco ajudar o talento a encontrar melhores oportunidades de emprego no actual contexto de mudança permanente da natureza do trabalho.

 

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