Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media
O escritor La Fontaine é famoso pelas suas fábulas, histórias em que os animais falam. São uma forma de dizer “as verdades” muito certeiras, pois obrigam a reflectir já que não são de imediata apreensão.
Este filme segue uma estrutura semelhante. Um pastor moderno, com toda a tecnologia ao seu dispor, utiliza também antigos métodos, como o de se sentar no relvado e ler em voz alta livros ao seu rebanho. As ovelhas escutam atentas e, depois, “falam” entre si. Gostam do seu dono e valorizam o modo como são tratadas.
Um dia, o pastor é assassinado. Quem o matou? O que irá suceder? As ovelhas ficam em pânico e resolvem tentar desvendar o crime. Pode parecer uma história infantil, mas contém muitas lições para a vida adulta e empresarial.
Um aspecto essencial é a maneira como o pastor cuida das ovelhas. Conhece-as bem, pelo seu próprio nome e sabe quais as competências e capacidades de cada uma. Elas correspondem a esse cuidado, ouvindo-o com atenção. Quando ele fala, escutam-no, focam-se nas suas palavras e comentam depois o que ouvem. Esse “manter o foco” irá ajudá-las a resolver o crime, evitando dispersões enganosas.
O trabalho em equipa é outra das fortes mensagens, pois cada ovelha sabe que pode contar com o talento específico de outra companheira. Cada uma é singular e depressa aprendem a saber pedir ajuda, de acordo com as capacidades individuais. A dada altura, é necessário atravessar uma estrada e ir à cidade, saindo da zona de conforto dos prados. A primeira tentativa é um fracasso. Depois, organizando-se em grupo, conseguem! Isso permite ainda que se vão conhecendo mais, nos seus traumas e nas suas motivações, que as levam então a dar o melhor de si.
Querem mesmo corresponder, ser úteis e competentes para com quem as estima, suporta e se esforça por elas. Um aspecto que deriva desta atitude é que vão dar-se conta de como alguns dos seus juízos pré-concebidos sobre os outros estavam enganados. Algumas impressões superficiais sobre alguém, que impediam o desenvolvimento de uma relação de confiança, vão desaparecer ao conhecerem-se melhor e transformam-se em aliados decisivos. Um exemplo é que a ovelha mais débil, “o patinho feio”, será a única com jeito para passar numa porta estreita e a ovelha “mandona e distante” tem afinal razões para ser assim, revelando-se uma líder que salva o grupo numa situação desesperada.
Por fim, há uma lição que pode não ser evidente, mas está bem presente: a importância de se querer formar, procurar aprender e não se conformar com “já sei tudo”. Logo no início, nota-se como as ovelhas se focam, evitando o multitasking e querendo apreender o que escutam. Mas, depois, vão buscar livros, seleccionando um bom manual que oriente o polícia e detective a conseguir realizar bem o seu trabalho. Dão pistas, traçam estratégias baseadas em dados credíveis. Esforçam-se por analisar cada situação concreta e recolherem informações precisas sobre o que se passa.
O “happy end” final, como em qualquer fábula, abre diversos horizontes para várias facetas das nossas vidas. Vale a pena aproveitá-las!
Este artigo foi publicado na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
















