Lições da sétima arte para a Gestão de Pessoas. Decisões que salvam vidas

Human Resources
9 de Dezembro 2024 | 18:00

Do realizador Ron Howard, com Viggo Mortensen e Colin Farrell nos principais papéis, “13 Vidas” demonstra a importância da liderança e da escolha das pessoas certas, mesmo quando a tarefa parece impossível.

 

Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media

 

Em 2018, 12 jovens rapazes de uma equipa de futebol e o seu treinador vão brincar para uma gruta na Tailândia, no final de uns treinos. Já a conhecem bem e, várias vezes, costumam ir lá nas suas bicicletas. No entanto, naquele dia, uma tempestade tropical forma-se de repente.

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A chuva torrencial inunda em poucos minutos algumas das câmaras subterrâneas da entrada, cortando-lhes a saída, pelo que se refugiam ainda mais para o interior da gruta. Quando os pais constatam que os filhos não aparecem, dão o alerta. De imediato, as autoridades tentam operações de resgate, com o apoio de uma equipa de mergulhadores tailandeses, mas o salvamento é complexo. A gruta é sinuosa, é necessário nadar debaixo de água, várias horas, por percursos estreitos e perigosos. Nada conseguem nos primeiros mergulhos.

A notícia ganha impacto nacional e internacional. As chuvas não abrandam e cada vez se infiltram mais pela montanha, encharcando a gruta. Um dos responsáveis locais consegue convencer os aldeões a desviarem as correntes de água para os seus terrenos, o que diminuiria a pressão nas cavernas. Explica-lhes o que está em jogo sem esconder que irão perder as colheitas. Eles apreciam essa sinceridade e, ainda assim, aceitam ajudar no salvamento dessa forma.

Entretanto, dois dos melhores mergulhadores ingleses são enviados para o local. Confirmam que a situação é grave. Falam entre si. São como que “peritos em recursos humanos”, pois dão-se conta de que têm de recorrer a outros mergulhadores. Vão seleccioná-los de acordo com as suas capacidades, mas também pela sua personalidade. Alguns são de outras nacionalidades, mas o que interessa é escolher quem tenha competência e, acima de tudo, seja calmo, saiba trabalhar em equipa e demonstre criatividade para encontrar soluções perante os imprevistos. Ao conversarem com cada um, são francos, deixando claro que correm perigo de vida, pois já lá falecera um dos mergulhadores tailandeses mais experiente. Essa sua atitude atrai os outros a colaborarem e é uma lição para todos, quando temos de resolver questões difíceis.

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O responsável local torna-se numa peça-chave. Chama para si os riscos, defendendo os mergulhadores, quando eles apresentam uma solução complexa: sedar e anestesiar os rapazes e o treinador, trazendo-os debaixo de água cerca de cinco horas, inconscientes, às costas dos mergulhadores.

Antes de iniciarem todo o processo, trocam ideias. Compreendem que lutam por algo maior que os seus interesses. Isso une-os e dá-lhes inspiração para encontrarem as decisões mais acertadas. Compartilham receios, mas também aspectos práticos úteis para todos. O sentido de entreajuda é fortalecido nessas conversas, tanto em grupo, como só entre os dois, que depois se reflecte em gestos reais de colaboração, sabendo “dar uma mão” ao adivinhar que algum dos colegas é disso que precisa.

No final, todos são resgatados. A operação revela-se um êxito, pois todos os envolvidos foram de facto bem escolhidos para essa determinada tarefa. No documentário “Rescue”, sobre este mesmo acontecimento, este aspecto fica ainda mais claro, e este dá boas pistas sobre como seleccionar as pessoas “certas” para os diferentes desafios.

 

Este artigo foi publicado na edição de Novembro (nº. 167) da Human Resources, nas bancas.

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