O estudo “The Future of Work is More Than Where to Work” da Boston Consulting Group (BCG) conclui que quase todos os executivos inquiridos encaram como importantes as dimensões do futuro do trabalho como a liderança, a aprendizagem activa e contínua, e os novos e diversos modelos de talento, mas menos de 20% dos interpelados acredita que estes itens são tidos como uma prioridade na agenda do seu CEO.
Já 93% dos inquiridos considera a liderança importante para um futuro do trabalho melhor, embora também afirmem que as suas empresas não estão a dar o apoio adequado para assegurar que os líderes têm o que precisam para ter sucesso nesta frente. Por exemplo, apenas 20% vê uma melhoria da cultura organizacional e dos comportamentos dos líderes seniores e apenas 15% considera requalificar os gestores para gerir, inspirar e treinar equipas distribuídas, como prioridades para o CEO.Quando se trata de implementar o futuro das iniciativas de trabalho, o estudo revelou que as organizações e indústrias com uma elevada percentagem de trabalhadores deskless, que têm de estar fisicamente na empresa para desempenhar a sua função, estão a ficar para trás face às que possuem mais funções de secretária e que, portanto, são mais passíveis de adoptar modelos remoto.
As indústrias de telecomunicações, tecnologia e seguros, que têm aproximadamente um quarto ou menos dos seus colaboradores em funções necessariamente presenciais, apresentam melhores níveis de preparação para o futuro do trabalho. Já os sectores da energia, dos bens de consumo e de retalho – cuja maioria dos postos corresponde a trabalhadores deskless – são os que obtêm uma classificação mais baixa. Em 38% de todas as organizações inquiridas falta ainda implementar novas iniciativas, tais como horários flexíveis e benefícios diferenciados para este tipo de trabalhadores.Isto é relevante porque, como constatado no último inquérito global sobre empregabilidade da BCG, 37% do talento dedicado a funções deskless estava em risco de abandonar os seus empregos nos seis meses seguintes por razões como falta de flexibilidade, oportunidades de progressão na carreira e compensação. Para evitar níveis de rotatividade tão significativos, as empresas devem priorizar os esforços que assegurem um melhor ambiente de trabalho para os trabalhadores que não têm a opção de modelo híbrido.Embora muito tenha sido escrito sobre as expectativas dos trabalhadores em relação ao futuro do trabalho, este novo inquérito revela que as empresas ficaram aquém do que era esperado. Muitos líderes acreditam que é importante criar um futuro do trabalho melhor, mas poucos são os que estão efectivamente a traduzi-lo em acções.
O estudo “The Future of Work is More Than Where to Work” baseia-se num inquérito global a líderes seniores, dos quais um terço ocupa cargos executivos, de aproximadamente 350 empresas de diferentes indústrias, representando mais de seis milhões de empregados, e pretende identificar a sua progressão na criação de um futuro do trabalho melhor.














