«Liderança nas organizações tem de ser mais participativa, humanizada, ágil e influenciadora», defende o administrador do Grupo Vila Galé

«Temos de garantir que a liderança nas organizações se faz de forma mais participativa, humanizada, ágil e influenciadora».

 

Por Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do Grupo Vila Galé

 

«É interessante perceber que, há precisamente dez anos, estávamos a atravessar uma grave crise financeira, que inevitavelmente traria uma mudança na Gestão de Pessoas. Temas como a inovação e automatização de processos, a comunicação interna como potenciadora da cultura organizacional e a liderança colaborativa, entre outros, começaram a ser debatidos nas organizações.

Ao longo desta década, assistimos a essa mudança com o desenvolvimento da comunicação interna e da cultura de partilha de resultados, como forma de criar maior envolvimento e comprometimento com as equipas. As organizações passaram a definir a sua estratégia com base num propósito, também este integrado na política de Recursos Humanos.

Na área do Recrutamento e Selecção, assistimos a uma alteração na forma como os candidatos passariam a ser seleccionados. Houve uma significativa valorização das soft skills em detrimento das hard skills, e as competências técnicas, só por si, passariam a ser menos relevantes.

Também o tema do Employer Branding passou a estar em cima da mesa nas organizações, quando se definiam as estratégias para captar os melhores talentos.

E quando o tema era incentivos e benefícios, a premissa ‘one size does not fit all’ foi fazendo cada vez mais sentido e os benefícios foram sendo adaptados às necessidades e diversidade das equipas.

No entanto, houve dois temas onde, na minha opinião, a evolução foi mais notória: liderança e transformação digital. No que diz respeito ao primeiro, assistimos a uma mudança de comportamento e de mindset, com líderes mais envolventes e potenciadores do desenvolvimento das equipas, em detrimento de líderes “directivos”, e onde a inteligência emocional passou a ser fundamental para a gestão de equipas.

A transformação digital, com automatização de processos e ferramentas colaborativas, fez com que os departamentos de Recursos Humanos deixassem de ser tão administrativos, para terem um papel mais operacional e de maior proximidade com as equipas.

Actualmente, atravessamos uma pandemia que terá impacto social e económico a nível global. E, tal como aconteceu há dez anos, vamos naturalmente assistir a uma mudança na Gestão de Pessoas.

É indiscutível que esta pandemia teve dois impactos, que serão duradouros: a aceleração da tendência de teletrabalho e a utilização frequente de ferramentas e plataformas digitais na gestão de Recursos Humanos. Mas, em tempos de crise, temos de garantir que a liderança nas organizações se faz de forma mais participativa, humanizada, ágil e influenciadora. É tempo da partilha de funções e de equipas multifuncionais. É tempo de colaboração.»

 

Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Julho (n.º 115) da Human Resources, nas bancas.

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