Liderança no feminino: o factor inclusão na cultura corporativa das empresas

Human Resources
11 de Março 2025 | 10:30
Liderança no feminino: o factor inclusão na cultura corporativa das empresas

Por Tânia Saraiva, directora de Specialty e Oncologia na GSK

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Nos dias de hoje, muito se fala sobre igualdade, equidade e inclusão, especialmente no universo profissional e na cultura das empresas. Igualdade e equidade, efectivamente, são conceitos fundamentais quando o tema é o papel das mulheres no mundo corporativo. Mas ainda que se complementem e possam surgir, lado a lado, nas discussões e no esgrimir de argumentos, têm significados distintos e diferenças fundamentais; não são conceitos intercambiáveis, pelo que se a ideia é aplicá-los na promoção de uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva, há diferenças que importa esclarecer.

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Igualdade é, segundo o dicionário, a “qualidade de igual”, a “relação entre coisas ou pessoas iguais”. Equidade, ainda que possa ser confundida com igualdade, tem definição diferente: é o “reconhecimento dos direitos de cada um”. Ou seja, enquanto a primeira pressupõe um tratamento idêntico para todos, independentemente das circunstâncias individuais, a segunda reconhece que pessoas diferentes têm necessidades distintas e que, para alcançar resultados justos, é necessário um tratamento diferenciado, que tenha em conta essas especificidades.

No mercado de trabalho, a igualdade defende condições iguais para funções idênticas, mas a equidade vai mais além, reconhecendo que as mulheres podem enfrentar períodos que exigem medidas adaptadas, como é o caso da maternidade, pelo que se criaram políticas de licença parental adequadas e horários flexíveis. Por isso, fomentar a igualdade é muito importante, mas é igualmente essencial garantir a equidade. Só assim conseguimos ser inclusivos.

Não só as mulheres são diferentes dos homens, como desempenham papéis diferentes e têm também necessidades distintas, consoante as várias fases das suas vidas. Enquanto mãe, as minhas necessidades quando as minhas duas filhas eram bebés nada têm a ver com as de hoje, que são adolescentes. E, seguramente, serão diferentes no futuro. O que funcionou para mim em termos de apoio, poderá não funcionar do mesmo modo para outra colega, que precisa de dar apoio a familiares mais idosos ou que necessita de suporte emocional em algum momento da sua vida.

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A equidade vai reconhecer as minhas diferenças biológicas, sociais e culturais, ao permitir que as intervenções sejam adaptadas. Não se trata de criar privilégios, mas eliminar obstáculos, tendo como objectivo último a equidade substantiva nos resultados: uma sociedade onde todas as mulheres, independentemente da fase da sua vida, possam alcançar o seu potencial. Não é isso o que procuramos quando defendemos a inclusão?

Isto continua a ser uma jornada repleta de desafios, sobretudo quando esse potencial se pode traduzir na ocupação de lugares de liderança, uma vez que ainda existem algumas barreiras sistémicas a condicionar o acesso das mulheres a posições mais seniores. Não só as normas de género continuam a insistir em atribuir à mulher determinados papéis que dificultam a sua ascensão profissional, como, em alguns casos, – felizmente cada vez menos – as responsabilidades familiares e domésticas recaem mais sobre o sexo feminino, complicando a já difícil conciliação entre vida pessoal e profissional.

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As empresas têm, por isso, um papel fundamental na resposta a estes desafios e na promoção de uma cultura inclusiva. É isso que procuramos na GSK em Portugal, onde se contam 91 mulheres de um total de 160 profissionais, que ocupam 60% dos cargos executivos e onde têm sido criadas políticas focadas na inclusão: todos os colaboradores da GSK que vão ser pais/mães têm direito a 18 semanas de licença de maternidade/paternidade pagas a 100%, tal como a possibilidade de usufruir de quatro semanas de licença paga para cuidar de familiares de primeiro grau em estado de saúde crítico ou fim de vida.

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Mas vamos mais longe, ao potenciar o desenvolvimento de todos os colaboradores, disponibilizando um plano de carreira, alinhado e acompanhado pelos respectivos managers, além de um portal interno de desenvolvimento, com diferentes treinos e programas formativos, em diversas áreas, assim como um programa de Reverse Mentoring.

Acreditamos que isso podem ser alguns dos motivos por termos conquistado o top 15 das 100 melhores empresas, no ranking FTSE Women Leaders, no que diz respeito à representatividade das mulheres em cargos de direcção e liderança. Mais importante do que isso, acreditamos que é o facto de sermos uma empresa inclusiva, onde todas as pessoas têm oportunidade de desenvolver-se e prosperar, independentemente de ser homem, mulher ou da idade que têm, que faz de nós uma das melhores empresas para trabalhar… sem “mas” e “se”.

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