Liderar com Mundo: As pessoas que nos dão mundo

Há pessoas que mudam a nossa forma de olhar para a vida sem nunca nos dizerem o que fazer. Apenas nos dão confiança, perspectiva e coragem para avançar. É essa a essência de “dar mundo”. E é essa a essência da liderança. Leia o artigo de Catarina João Morgado, directora da PwC’s Academy, PWN volunteer.

Human Resources
9 de Setembro 2026 | 14:00
Liderar com Mundo: As pessoas que nos dão mundo

 

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Por Catarina João Morgado, directora da PwC’s Academy, PWN volunteer

 

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Ao longo da vida, tenho tido a sorte de me cruzar com pessoas que me deram mundo. Quer se trate de pais, companheiros, amigos ou líderes, consigo perceber padrões extremamente marcantes de pessoas que tiveram uma educação baseada na autonomia com responsabilidade, por oposição a uma educação baseada no medo e no excesso de protecção.

Tive uma colega que era o exemplo paradigmático desse modelo. Era uma pessoa que gostava de arriscar e que encarava os desafios com confiança. O que é certo é que em conversas percebi que aqueles traços de coragem foram fortemente potenciados por uma educação em que lhe deram as ferramentas para a empoderar e perceber que seria capaz de fazer tudo aquilo que desejasse. O pai dizia-lhe: arrisca, vai em frente. E isso empoderou-a.

Tendo este exemplo como referência, costumo dizer aos meus filhos que eles podem conseguir tudo o que realmente se dispuserem a fazer. Para eles já não é novo e brincam comigo respondendo: “Sim, já sei, eu posso tudo, menos voar.” Às vezes não é fácil não os proteger do mundo, mas considero mais importante prepará-los para o mundo, ainda que isso possa implicar um número acrescido de nódoas negras…

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Podemos encontrar também exemplos em companheiros. Exemplos em que ambos se apoiam e puxam um pelo outro, alternando o binómio trabalho-família em função da fase da carreira em que cada um se encontra, dando ao outro o espaço de que ele necessita para se desenvolver e ser feliz ou dando-lhe a força de que ele precisa para brilhar, sem nunca ter receio que ela o venha a ofuscar.

Em boa verdade, dizemos que alguém “nos deu mundo” quando nos expôs a novas experiências, nos ensinou a olhar para além do nosso círculo e nos encorajou a crescer.

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Posso nomear também os amigos. Sabemos que temos aqueles amigos com quem basta marcarmos um almoço para sairmos empoderados, cheios de ideias e força para as pôr em prática e também aqueles amigos mais receosos, com quem optamos por falar quando sentimos que precisamos de uma voz mais prudente ou a que, deixamos de ligar para não perdermos a coragem de arriscar.

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Chegamos assim aos líderes. Quando fui desafiada a escrever sobre “liderar com mundo”, a minha mente remeteu- me de imediato para estes exemplos e para as pessoas com quem tive – e tenho – a sorte de me cruzar, que “me dão mundo”. Ora porque partilham as suas experiências e forma de pensar como líderes, ora porque conseguem dar uma visão de helicóptero e ajudam a estruturar o pensamento, ora porque dão força e ajudam a desligar o botão do medo.

Aliás, perante uma tomada de decisão, se parar para pensar e perceber que o que o está realmente a impedir de avançar é apenas medo, então provavelmente será de seguir em frente. Há momentos da vida em que precisamos daquele empurrão para sair detrás da cortina e enfrentar o palco.

Proponho assim a sistematização de algumas das características que destaco para quem gostaria de liderar com mundo:

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Proporcionar momentos de partilha: partilha das suas experiências, vulnerabilidades e forma de lidar com os desafios (o poder do storytelling);

Ter pensamento crítico: ser capaz de expressar uma opinião fundamentada e demonstrar como estruturar o pensamento;

Usar inteligência emocional: perceber que todos temos os nossos gatilhos e impacto no outro, pelo que há que enfrentar as situações com serenidade e um pouco de racionalidade;

Empoderar o outro: salientar os pontos fortes do outro e aquilo que tem observado como sendo positivo na sua actuação de modo a dar confiança, autonomia e força para conseguir assumir novas responsabilidades;

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Ter “growth mindset”: ter uma mentalidade de crescimento, flexível e direccionada para a aprendizagem, onde é possível experimentar e errar;

Acolher diferentes perspectivas: valorizar as diferenças, criar segurança psicológica e conseguir o alinhamento de pessoas que pensam de forma distinta.

 

Por isso, para liderar com mundo não é preciso ter visto muito, mas sim fazer ver mais. É ampliar o horizonte das nossas pessoas. É ajudá-las a pensar para lá da sua experiência, do seu departamento, da sua geração e até das suas próprias limitações. Reconhecer as crenças limitadoras que possam existir e ajudar a ampliar o seu pensamento.

Pense agora nas pessoas com quem se tem cruzado. Quem é que o marcou e porquê? Diria que há um padrão. As pessoas que mais nos marcam raramente foram as que nos disseram o que fazer. Foram as que nos deram mundo suficiente para descobrirmos aquilo que éramos capazes de fazer por nós próprios.

Obrigada aos líderes com mundo que se têm cruzado comigo, vocês sabem quem são.

 

Este artigo foi publicado na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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