Liderar com mundo: O que é, afinal, liderar com mundo?

Nem a propósito, há um par de dias tive o privilégio de ser participante numa formação imersiva, cujo título era “Leading for Growth”. No meio do Lake District – no noroeste de Inglaterra, relativamente próximo de Manchester –, numa paisagem marcada por uma beleza natural paradisíaca, um grupo de executivos de topo, de vários países e continentes, ambicionava “liderar com mundo”. Leia o artigo de Maria João Mileu, Board member da PWN Lisbon.

Human Resources
11 de Junho 2026 | 14:00

Por Maria João Mileu, Board member da PWN Lisbon

 

Entre lagos de águas espelhadas, que se estendem entre colinas verdes, vales profundos e montanhas suaves, o primeiro desafio a superar por aquele grupo de executivos, para liderar com mundo, foi aprender a ultrapassar fronteiras e diferenças culturais sem cair na superficialidade. Liderar com mundo exige uma competência crítica: humildade cultural.

Não foi preciso conhecer todos os costumes de cada um de nós, mas foi necessário reconhecer que o nosso modo de pensar, o nosso processo de decidir e o nosso processo de agir não são os únicos. Durante três dias, tivemos de fazer muitas perguntas antes de concluir. Tivemos de trocar julgamento por curiosidade. Entendemos que há culturas que valorizam a frontalidade e outras que valorizam a harmonia; umas que apreciam autonomia imediata e outras que preferem orientação clara. Há culturas que vêem o silêncio como concordância e outras como respeito.

O líder com mundo não impõe um estilo; pelo contrário, constrói pontes: aplica princípios universais (dignidade, integridade, justiça, transparência) e adapta práticas locais (rituais, linguagem, ritmo, negociação).

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Durante apenas três dias, conseguimos criar uma verdadeira equipa de líderes com mundo. Saímos daquele paraíso inglês com a convicção de que iríamos conseguir estender a nossa liderança com mundo às nossas empresas – sim, porque o propósito também era levar a nossa aprendizagem de líderes com mundo às nossas empresas e às nossas equipas. Liderar com impacto é alinhar resultados com significado, através de visão estratégica, disciplina e humanidade – visão para definir o caminho; disciplina para transformar planos em execução; humanidade porque o sucesso só pode ser construído com equipas que crescem com os seus líderes.

Saímos desta formação com a convicção – ou talvez com a ilusão – de que iríamos ser capazes de influenciar os nossos stakeholders a liderar com mundo: ter ambição sem dureza; firmeza sem rigidez; autoridade sem vaidade. Liderar com a cabeça, mas também com o coração educado pela responsabilidade.

Mas, para conseguirmos influenciar positivamente os demais que nos rodeiam, é preciso estarmos conscientes de que liderar com mundo começa, desde logo, em nós, no indivíduo. A primeira fronteira a atravessar é interna: entre o “eu” que reage e o “eu” que escolhe.

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Um líder com mundo tem de ser um líder com impacto. Não precisa de ter todas as respostas, mas precisa de garantir que tem – e aplica – os valores fundacionais na gestão da relação com todos os seus stakeholders (mesmo quando as respostas não chegam).

A liderança é sempre relacional: o impacto não se mede apenas no que entregamos, mas também no que despertamos nos outros. Porque as pessoas não seguem estratégias; seguem coerência. E a coerência vê-se nos gestos pequenos: no respeito com que damos e recebemos feedback (positivo e de melhoria); no cuidado com que escutamos activamente o que nos dizem; na forma como reconhecemos o esforço dos outros, mesmo quando é invisível. A liderança com mundo transforma pressão em propósito e medo em aprendizagem.

Liderar com mundo não é imposição, é escolha! A liderança nasce do reconhecimento de quem decide seguir. Só se legitima o líder quando se confia, quando se sente inspiração, respeito e representação. Liderar com mundo é uma escolha diária: a escolha de servir, de incluir e de crescer com os outros, porque a liderança real não é um objectivo, é uma jornada.

É preciso reconhecer que cada decisão, cada palavra e cada silêncio têm impacto no indivíduo, na empresa e, por vezes, na sociedade. É preciso perceber que a liderança não é uma posição, é uma presença.

Ser líder com mundo é decidir sabendo que o mundo é grande, diverso e imperfeito… e que, mesmo assim, cada um de nós pode ser um lugar seguro onde os outros crescem.

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Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 185) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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