Líderes admitem que estão a usar ordens de regresso ao escritório para reduzir equipas (sem ter de despedir)

Human Resources
15 de Setembro 2025 | 10:10

Em resposta às políticas de regresso ao escritório que têm vindo a ser adoptadas por cada vez mais empresas, muitos colaboradores estão a pedir a demissão. Porém, na verdade, pode ser exactamente isso que as empresas pretendem, revela a Fortune.

Em vez de reduzir o pessoal através de despedimentos, os líderes empresariais dos EUA disseram à Reserva Federal que esperam que o aumento das exigências de trabalho presencial resolva o problema.

O relatório, mais conhecido por Beige Book, resume as condições económicas actuais nos 12 distritos da Reserva Federal e baseia-se em entrevistas com líderes empresariais, economistas e outros contactos locais para uma visão em tempo real da economia.

O mais recente destacou que, neste mês de Setembro, vários distritos “incentivaram” a rotatividade com ordens de regresso ao escritório.

Um inquérito a 849 gestores revela que três em cada 10 empresas exigirão que os colaboradores trabalhem no escritório cinco dias por semana até ao final do ano, impulsionadas por mudanças corporativas e novas regulamentações.

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Ainda na semana passada, a gigante tecnológica Microsoft anunciou o regresso ao escritório de todos os colaboradores três dias por semana, apesar de Amy Coleman, vice-presidente executiva e Chief People Officer, ter garantido que essa «actualização não tinha que ver com reduzir o número de trabalhadores», mas sim «de trabalhar em conjunto de uma forma que permita satisfazer as necessidades dos clientes».

De acordo com um inquérito de 2025 do Pew Research Center, quase metade dos trabalhadores afirmou que, se o empregador não lhes permitisse trabalhar mais a partir de casa, seria pouco provável permanecerem na função, incluindo cerca de um quarto que afirmava ser muito improvável que isso acontecesse.

Mesmo assim, o cenário para os trabalhadores que abandonam os seus empregos em resposta ao aumento de dias no escritório, também não é motivadora.

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O emprego nos trabalhadores de colarinho branco dá sinais de cada vez maior estagnação. Actualmente,os profissionais sem diploma, como empregados de bar e no sector da hotelaria, estão a registar um crescimento salarial superior ao dos trabalhadores de escritório, uma vez que a procura por experiências de trabalho presenciais aumentou após a pandemia.

O Beige Book da Reserva Federal também fez referência à tecnologia que está a ajudar as organizações a reduzir silenciosamente o número de trabalhadores.

Embora o inquérito da Fed tenha sido publicado no início de Setembro, já em 2024, num inquérito a mais de 1.500 gestores, um quarto dos executivos de topo admitiu esperar alguma rotatividade voluntária entre os colaboradores após a implementação de uma política de regresso ao escritório.

Contudo, são precisamente os líderes e gestores que estão a concentrar-se nas reuniões presenciais. De facto, 93% dos CEO afirmam que não trabalham a tempo inteiro no escritório e, em vez disso, adoptaram padrões de trabalho flexíveis.

E apesar dos memorandos sobre as novas exigências, um relatório da Resume Builder descobriu que um em cada cinco trabalhadores também está a ignorar as suas novas políticas presenciais.

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