A primeira Convenção da Rede Doutor Finanças, promovida pelo Doutor Finanças, reuniu nos dias 6 e 7 de Maio, em Vila Nova de Gaia, especialistas e líderes de opinião para debater temas que moldam o panorama económico e financeiro actual. Paulo Portas, o Almirante Gouveia e Melo, a ex-ministra da Habitação Marina Gonçalves e o gestor António Ramalho foram alguns dos convidados.
Durante dois dias, foram abordadas questões como literacia financeira, inovação, inteligência artificial, habitação, seguros e liderança, promovendo a partilha de insights e propostas de soluções concretas para uma audiência de 300 pessoas.
No painel dedicado à intermediação de crédito, destacou-se a urgência de combater a falta de literacia financeira em Portugal, qualificada como um “calvário”. Foi recordado que o país ocupa o penúltimo lugar neste ranking entre os 27 Estados-Membros da União Europeia, apenas à frente da Roménia. Este défice representa um obstáculo significativo à autonomia financeira das famílias, exigindo a implementação de estratégias eficazes de educação financeira que capacitem os cidadãos nas suas decisões económicas.
A discussão sobre seguros centrou-se na necessidade de tornar os produtos mais simples e compreensíveis. Os especialistas sublinharam que a complexidade dos produtos atualmente disponíveis pode afastar os consumidores, sendo fundamental oferecer soluções mais acessíveis e ajustadas às reais necessidades dos clientes.
No primeiro dia da Convenção, Paulo Portas, ex-vice-Primeiro Ministro, abordou os principais desafios da Europa, com destaque para a inovação, a demografia e a competitividade. Sublinhou que Portugal ocupa “a terceira posição no mundo ocidental com maior envelhecimento populacional, depois do Japão e da Itália”. Defendeu que será necessário “um mínimo de consenso entre quem pode governar hoje e quem pode governar amanhã” para reverter o défice demográfico, e que se deverá “abrir um pilar de capitalização na Segurança Social”, uma vez que “os PPR parecem uma lenda do passado, mas vão inevitavelmente ter de voltar”.
Ainda no campo da produtividade, Portas alertou para um duplo desafio: “A Europa tem 80% da produtividade por hora trabalhada face aos EUA. E Portugal tem 75% da produtividade da média europeia”.
Já Rogério Canhoto, ex-administrador da PHC, abordou o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Contrariando a ideia de que a IA irá substituir empregos, defendeu que será uma excelente ferramenta para os profissionais que souberem usá-la de forma eficaz. Sublinhou, por isso, a importância da adaptação constante e da aprendizagem contínua.
No segundo dia, o painel sobre habitação juntou Marina Gonçalves, deputada e ex-ministra da Habitação e António Ramalho, gestor e ex-CEO do Novo Banco. A conversa centrou-se nas várias dimensões da crise habitacional em Portugal, com destaque para a escassez de oferta, o aumento dos preços e a urgência de políticas públicas eficazes que garantam o acesso à habitação a todas as faixas da população.
O dia contou ainda com Alexandre Monteiro, autor do livro ‘Decifrar e conquistar clientes’, numa palestra que se debruçou sobre a importância da “boa comunicação” quer em equipa, quer com clientes.
O encerramento da Convenção ficou a cargo do Almirante Gouveia e Melo, que deixou uma reflexão contundente sobre a actual “crise de liderança mundial” e os seus reflexos nas lideranças nacionais. Apontou exemplos como as eleições romenas ou a instabilidade política nos Estados Unidos, anteriormente líderes incontestados das democracias ocidentais. Alertou para o risco de promessas vãs, afirmando que se deve “desconfiar sempre das lideranças que dizem que amanhã o problema está resolvido” e sublinhou que “uma boa ou má liderança avalia-se pelos resultados”. Entre as qualidades de um bom líder, destacou a coragem, a responsabilidade, a resiliência e a capacidade de comunicação.














