O desempenho económico da Região de Lisboa situa-se acima da média nacional, mas persistem desafios significativos em áreas cruciais para o bem-estar, segundo o Barómetro da Qualidade elaborado pela NOVA IMS e pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ).
O estudo destaca que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Região de Lisboa é cerca de 30% superior ao do país (30.439,7 euros face a 23.430,3 euros). A taxa de desemprego entre a população com ensino superior é inferior à média nacional, fixando-se nos 4,3% contra 5,9%. Adicionalmente, a região apresenta maior dinamismo empresarial, com uma taxa de constituição de pessoas colectivas de 4,4% face a 3,3%, e uma taxa de escolarização no ensino superior de 62,2%, acima dos 43,1% nacionais.
Desafios em habitação, desemprego de longa duração e segurança
Apesar destes indicadores positivos, a Região de Lisboa enfrenta dificuldades em domínios estruturantes para a qualidade de vida. A proporção de desempregados de longa duração é mais elevada, situando-se nos 3,5% face a 2,4% no país. Na habitação, a taxa de sobrecarga das despesas é superior à média nacional (9,6% contra 6,9%) e a percentagem de alojamentos construídos após o ano 2000 é inferior (15,7% face a 19,4%). A região regista ainda uma taxa mais elevada de furtos ou roubos por esticão e na via pública, com 1,3 por mil habitantes contra 0,7 por mil no conjunto do país.
Contrastes nos indicadores sociais e de qualidade de vida
Em termos sociais, a Região de Lisboa apresenta menor proporção de idosos em situação vulnerável (0,2% contra 1,8%), mas revela cobertura inferior em respostas sociais para idosos (8,6% face a 12,9%) e uma menor proporção da população com médico de família (69,2% contra 84,3%).
Noutras áreas essenciais para o bem-estar, a disponibilidade de espaços verdes urbanos é significativamente inferior à média nacional, com 40,2 metros quadrados por habitante face a 104,2 metros quadrados. Contudo, Lisboa destaca-se na reutilização e reciclagem de resíduos urbanos (31,4% contra 25,0%), na cobertura de acessos à internet em banda larga (48,5% face a 43,5%), no número de visitantes de museus por habitante (2,6 contra 1,7) e no proveito médio por estabelecimento turístico, que é superior ao dobro da média nacional (1.192,8 milhares de euros face a 536,8 milhares de euros).
Percepções dos residentes confirmam disparidades
A avaliação dos residentes reflecte estes contrastes. A Região de Lisboa obtém avaliações mais favoráveis na qualidade e cobertura dos transportes públicos, nas opções de teletrabalho, na participação em acções de voluntariado e nas condições para famílias com filhos jovens. Por outro lado, as percepções são menos positivas relativamente à limpeza e higiene urbana, facilidade de estacionamento, ruído, segurança, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e impacto do turismo.
«O valor distintivo do Barómetro está na capacidade de passar da medição à explicação e da explicação à acção. Para além de mostrar como cada território se posiciona, o modelo permite identificar as dimensões que melhor explicam o seu desempenho, estimar os efeitos das intervenções e perceber em que áreas uma política pública poderá gerar maior valor. Assim, o Barómetro constitui uma verdadeira ferramenta de diagnóstico, simulação e recomendação para decisões mais eficazes e orientadas para as pessoas», afirma Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e responsável pelo projecto.
O Barómetro da Qualidade pretende oferecer uma visão integrada e baseada em evidência sobre as condições de vida, o desenvolvimento social, económico e ambiental e os principais desafios dos territórios. A ferramenta combina indicadores técnicos com a percepção dos cidadãos em áreas como saúde, habitação, educação, segurança, ambiente, economia, mobilidade e coesão social.
Este é o primeiro instrumento em Portugal que, através de um modelo integrado, identifica e quantifica os impactos entre as diferentes dimensões analisadas. A abordagem permite compreender como uma intervenção numa área pode repercutir noutras e simular os resultados potenciais da implementação de políticas públicas, facilitando a comparação de cenários e a identificação das intervenções que produzem maior valor para as populações.
Desenvolvido a partir da conjugação de dados estatísticos e informação recolhida junto dos cidadãos, o Barómetro disponibiliza informação relevante para decisores públicos, empresas, investigadores e cidadãos, permitindo uma leitura transversal dos territórios enquadrada por dimensões relacionadas com o bem-estar, desenvolvimento sustentável e princípios ESG — ambientais, sociais e de governação.
A análise à Região de Lisboa abrange as regiões NUTS II da Grande Lisboa e da Península de Setúbal, conforme a delimitação prevista para 2024.














