Ana Esteves (FEUP), Cláudia Martins (i3S/UP), Fátima Santos (FEUP) e Inês Alves (i3S/UP/UA) são as vencedoras seleccionadas entre dezenas de candidaturas nacionais, perante um júri científico. A iniciativa atribuiu a cada cientista um prémio individual de 15 mil euros, totalizando um apoio financeiro de 60 mil euros, que visa viabilizar a execução dos seus projectos.
A cerimónia de entrega das medalhas decorreu no Teatro da Luz, em Lisboa, uma escolha simbólica concebida para colocar no centro do palco e sob os holofotes do debate público investigadoras cujo trabalho pioneiro permanece, tantas vezes, circunscrito aos laboratórios.
Os projectos e respectivas cientistas distinguidas na 22ª edição:

Ana Esteves – LEPABE, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Procura identificar novas estratégias que tornem a produção de microalgas mais eficiente, sustentável e economicamente viável, abrindo caminho à utilização destes organismos em larga escala pela indústria. O projecto explora o efeito combinado de diferentes espectros de luz e frequências sonoras para promover o crescimento e induzir o agrupamento natural das microalgas, facilitando a sua separação da água com menor consumo de energia e sem aditivos químicos. Numa fase posterior, integrará modelos de inteligência artificial para optimizar os processos no âmbito da bioeconomia circular.

Cláudia Martins – i3S, Universidade do Porto
Estuda uma nova forma de combater as células cancerígenas residuais de glioblastoma – o tumor cerebral maligno mais frequente e agressivo em adultos – que permanecem no cérebro após a intervenção cirúrgica. A investigadora desenvolve um pequeno implante concebido para ser colocado no local onde o tumor foi removido, actuando como um reservatório inteligente de medicamentos. O dispositivo combina a libertação faseada e localizada de quimioterapia, o bloqueio dos mecanismos de resistência celular e uma terapia inovadora para travar a proliferação tumoral.

Fátima Santos – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Centra-se no desenvolvimento de uma nova geração de células fotovoltaicas sensibilizadas por corante (DSSC) capazes de captar a luz ambiente existente em espaços interiores (casas e escritórios) e transformá-la em electricidade. Através do projecto TAMODI, a tecnologia pretende alimentar dispositivos de baixo consumo energético e sensores da Internet das Coisas (IoT) sem depender da substituição de baterias, podendo ser integrada em superfícies como janelas para rentabilizar a luz interior e exterior.

Inês Alves – i3S, Universidade do Porto
Glicoimunologista, pretende identificar as alterações dos açúcares que envolvem a superfície celular dos tecidos afectados pelo Lúpus Eritematoso Sistémico e compreender de que forma contribuem para a resposta anómala do sistema imunitário. Como o lúpus afecta maioritariamente mulheres e apresenta um diagnóstico frequentemente demorado, a identificação destes padrões de açúcares alterados e anticorpos trará uma janela de oportunidade para detectar a doença numa fase precoce e evitar danos irreversíveis nos órgãos e tecidos.
















