Luís Fernandes, Staples: As consequências da diabolização dos estágios não remunerados

Human Resources
17 de Setembro 2024 | 13:20
Luís Fernandes, Staples: As consequências da diabolização dos estágios não remunerados

Luís Fernandes, director de Recursos Humanos da Staples, defende que «a ligação entre as instituições de ensino e o mundo empresarial é cada vez mais fundamental».

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«Os resultados deste 54.º barómetro vêm reforçar a necessidade de repensar uma questão que não é nova, mas que tem vindo a acentuar-se e que a pandemia da COVID-19 ainda mais agudizou – a falta de competências sociais, as chamadas soft skills dos jovens que ingressam no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo que temos a geração mais apta em termos académicos/teóricos, temos também uma geração menos preparada para lidar com os colegas, as equipas, as frustrações e para a questão da autoridade/hierarquia nas empresas.

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Considero por isso que a ligação entre as instituições de ensino e o mundo empresarial é cada vez mais fundamental. Infelizmente os estágios foram completamente diabolizados nos últimos anos: um estágio não remunerado de três meses? Exploração! A empresa é que ganha! Como se em três meses alguém conseguisse ter produtividade numa empresa. Por outro lado, três meses são suficientes para transmitir regras básicas e fornecer uma primeira abordagem ao mercado de trabalho – o choque entre a teoria e a prática que muitos só conseguem quando ingressam nas empresas e falham na sua integração.

Alguns dirão que o Estado apoia os estágios (e é verdade), mas não o suficiente. Ainda este ano os estágios do IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional tiveram apenas um período de candidaturas, contrariamente ao que tem acontecido nos últimos anos, por se ter atingido a dotação orçamental.

Este ano milhares de jovens não terão oportunidade de ter uma primeira experiência nas empresas – e é pena! Por vezes perguntam-me se acho que é mais enriquecedor a participação num programa de Erasmus ou um estágio numa empresa. Quanto a mim não tenho dúvidas do que me dá mais garantias sobre as soft skills de um candidato… mas acredito que muitos pensem de forma diferente.»

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Este testemunho foi publicado na edição de Agosto (nº.164) da Human Resources, no âmbito da LIV edição do seu Barómetro.

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