Maioria das empresas vai adoptar modelo híbrido não porque é melhor, mas porque os profissionais exigem

Em mais um Barómetro centrado no futuro do trabalho, a conclusão que se destaca é que a maioria (57%) dos inquiridos reconhece que a sua empresa vai adoptar o modelo híbrido, não por acreditarem que traz vantagens em relação ao trabalho 100% presencial, mas porque os profissionais assim o exigem. Destaque também para o facto de a maioria das empresas demonstrar intenção de contratar, ainda este ano.

 

Por Ana Leonor Martins

 

Na 37.ª edição do Barómetro Human Resources, e porque continua a ser um tema incontornável na realidade actual, o destaque volta a ser os modelos de trabalho que as empresas vão adoptar no pós-pandemia, ou seja, sem restrições ou imposições. Com base nos resultados dos barómetros que temos vindo a realizar, parece evidente que será sobretudo um modelo híbrido, nas empresas onde isso for possível (como fez notar o João Pita Negrão, senior manager da Deloitte, na XXI Conferência Human Resources, não é esta a realidade da maioria das empresas em Portugal (ver página 22). Será que é por acreditarem que é efectivamente um modelo melhor? Será para todos? Os líderes, estão preparados? E será que directores de Recursos Humanos e CEO têm uma visão alinhada neste âmbito? Também ninguém esconde que há desvantagens ou, no mínimo, desafios acrescidos. Quisemos perceber quais. E tem havido resistência à ideia de regresso por parte dos colaboradores?

Ligado de alguma forma às novas formas de trabalho, e também na ordem do dia, está a possibilidade de implementar a semana de quatro dias de trabalho, e por isso perguntámos aos especialistas do painel a sua opinião. Com a perspectiva de Portugal alcançar imunidade de grupo, trazendo assim maior estabilidade às empresas, regressámos igualmente ao tema das perspectivas de recrutamento, não só para perceber se as empresas estão a pensar aumentar as suas equipas (e comparar com aquelas que eram as suas expectativas no início do ano), mas também se estão a sentir maior dificuldade na atracção de talento.

Apresentamos nesta edição os resultados do XXXVII Barómetro Human Resources, que resultam das respostas a estas perguntas por parte do painel composto por cerca de 250 profissionais, maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ ou Marketing (15%). Para além das conclusões, ao longo do texto partilhamos também os comentários – na primeira pessoa – de alguns destes especialistas.

 

Resistência ao regresso
Em Abril, na 35.ª edição do Barómetro Human Resources, a resposta à pergunta sobre o modelo de trabalho que os especialistas do painel perspectivam adoptar nas respectivas empresas foi peremptória – 96% afirmaram que seria um modelo híbrido. Partindo deste pressuposto, na presente edição perguntámos por que razão as empresas vão apostar no modelo híbrido. E a maioria (57%) não escondeu que não é por acreditarem que traz vantagens em relação ao trabalho 100% presencial, mas porque os profissionais assim o exigem, sendo actualmente um factor de atracção e retenção de talento incontornável. São mais 25% do que aqueles que afirmam acreditar que o modelo híbrido vai ser adoptado porque traz melhores resultados – 32%. Só 8% são de opinião de que a maioria das empresas não vai adoptar este modelo. Já 4% defendem que é sobretudo porque permite uma redução de custos.

Quando questionados sobre se, no que respeita aos modelos de trabalho futuros, os CEOs querem o mesmo que os directores de Recursos Humanos (tema também abordado na XXI Conferência Human Resources, na “Conversa de Líderes”), a maioria (55%) garante que sim, sendo no entanto curioso notar que 15% não sabem (ou não respondem).

Ainda que já esteja assumido, pelo menos em teoria, que haverá maior flexibilidade nos modelos de trabalho, isso não invalida que não sejam reconhecidas algumas desvantagens, como aliás se percebe pela resposta ao porquê de não se voltar à forma de trabalho anterior à pandemia. A maioria dos responsáveis inquiridos acredita que o maior desafio/impacto potencialmente negativo no modelo híbrido, é a manutenção da cultura organizacional (28%) e no comprometimento com a empresa – engagement (23%). O espírito de equipa é o terceiro factor referido como o mais afectado (17%), sendo que 13% consideram que o modelo de trabalho híbrido não tem impactos negativos. Referência ainda para o facto de a produtividade ser o segundo aspecto menos referido (6%), depois da saúde mental (2%).

Outra vertente que tem sido muito debatida é a capacidade das lideranças para gerir num contexto laboral que inclui o trabalho remoto. Perante a pergunta “estão os líderes preparados”, mais de metade (55%) dos inquiridos afirma que sim, mas só uma minoria. Ninguém arrisca afirmar que todos os líderes estão preparados, mas 25% defendem que a maioria está. Já 21% acreditam que não.

 

Fique a conhecer todos os resultados do XXXVII Barómetro Human Resources está publicado na edição de Agosto (nº.128)  da Human Resources (se preferir comprar online, tem disponível a versão em papel ou a versão digital).

Conheça também o comentário dos especialistas:

– Isabel Borgas, directora de Pessoas e Organização da NOS

– Nuno Gonçalo Simões, director de Capital Humano da PwC

– Nuno Cardoso Filipe, director de Pessoas e Organização do Banco BPI

–Afonso Carvalho, CEO do Grupo Egor

–Maria Alexandra Martins, chefe da Divisão de Contratação Pública do Departamento Financeiro da Câmara Municipal de Matosinhos

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