Mais de 10% dos trabalhadores portugueses são pobres (nos desempregados a percentagem sobe para quase 50%)

Cerca de 11,2% dos trabalhadores e 46,5% dos desempregados portugueses são pobres, de acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), avançados pelo Instituto de Direito Económico Financeiro e Fiscal.

 

O “Inquérito às Condições de Vida e Rendimento” do INE  mostra que, de 2019 para 2020, «o risco de pobreza aumentou 1,6 pontos percentuais (p.p.) entre os empregados e 5,8 p.p. entre a população desempregada», afirma Renato do Carmo, director do Observatório das Desigualdades.

De acordo com o Instituto de Direito Económico Financeiro e Fiscal, os dificuldades económicas sentidas pela população activa em Portugal foram confirmadas na edição do “Expresso” da última sexta-feira, as condições de vida pioraram apesar do recuo do desemprego; e, segundo o Gabinete de Proteção Financeira da Deco, que apoia pessoas endividadas, quase 70% das pessoas que recorreram à sua ajuda em 2022 estão a trabalhar.

«O conjunto destes dados revela que o trabalho não afasta da pobreza um grupo significativo de pessoas, quer devido aos baixos níveis salariais, quer devido às formas de precarização laboral», explica Renato do Carmo, que também é coordenador científico do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (COLABOR). «Estes resultados também mostram que os trabalhadores em situação contratual mais frágil correm sérios riscos de empobrecimento, e de deterioração das suas condições de vida, quando caiem no desemprego», afirma.

«Este quadro não é recente, mas foi intensificado pelos impactos da pandemia e pelo crescente aumento do custo de vida, resultantes em parte do aumento da inflação ocorrido nos últimos meses», completa Renato do Carmo, que será o orador da próxima sessão do ciclo “Pensar a Economia”. Este ciclo de conferências, concebido por Eduardo Paz Ferreira, é apoiado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e pela Ordem dos Economista.

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