Os ginásios reabriram ontem, mas sem aulas de grupo, uma actividade que emprega mais de 25 mil instrutores em Portugal, que terão de continuar a esperar pelo menos até 3 de Maio. Neste sentido, foi lançada, na plataforma GoFundMe, a campanha “De Mãos e Pés Atadas” com o objectivo de alertar para esta situação e, em simultâneo, criar um fundo monetário de ajuda imediata a instrutores de fitness em situações mais complicadas.
Em poucos dias, centenas de profissionais pelo país fizeram a sua inscrição neste fundo que será distribuído de igual forma, finda a angariação, por todos os que o tiverem solicitado, de acordo com o montante angariado.
«Pensar que um mês não faz diferença é não conhecer esta realidade. A realização de aulas de grupo não apresenta qualquer risco acrescido de propagação do vírus, comparativamente com a sala de exercícios de um ginásio. Nas mesmas condições de distanciamento, é até mais fácil, em muitas situações, o professor das aulas de grupo poder assegurar eficaz e rigorosamente que cada aluno permanece (literalmente) no seu quadrado, do que muitas vezes na área das máquinas de um ginásio. Os dois espaços são extremamente importantes e complementares. No entanto, um deles é alvo de discriminação. Não faz sentido e desmotiva, ainda mais, uma classe de profissionais completamente esgotada», começa por explicar André Manz, impulsionador de uma campanha de sensibilização sobre o tema.
Mais de 80% dos profissionais de fitness em Portugal são trabalhadores independentes, não se enquadrando em situações de layoff.
«Estamos a falar de uma profissão que não tem muitas alternativas à distância. É claro que podem ser dados treinos online. Mas a sua procura, face a tudo o que existe disponível de forma gratuida, é muito reduzida. Além de que a predisposição e vontade das pessoas não é a mesma. Neste momento, instrutores com que o Grupo Manz trabalha há décadas, pessoas que investiram toda a sua vida profissional a tentar melhorar a saúde e bem-estar de outros, estão a ter de procurar carreiras diferentes, em muitos casos aos 40 e aos 50 anos», continua André Manz.
«Quem possa, por favor, não deixe de doar. A doação de um euro por 25 mil pessoas, passa a 25 mil euros, e creio que nem sempre nos lembramos disso. Estamos há mais de 30 anos no negócio do fitness e nunca vimos nada assim. Lançar esta campanha foi a nossa forma de ajudar, quando já não sabemos mais como», conclui.
Se quiser contribuir pode fazê-lo aqui.














