Mais de 3 em cada 10 profissionais foram vítimas de assédio laboral

Quase 40% dos profissionais que participaram no último relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpabs) disseram ser vítimas de assédio laboral, um “sinal de alerta” que os peritos consideram não dever ser ignorado.

Human Resources com Lusa
18 de Maio 2026 | 08:40
Mais de 3 em cada 10 profissionais foram vítimas de assédio laboral

O documento que resultou das respostas de 5549 profissionais de diversos sectores de actividade, indica que 38,3% dizem ser vítimas de assédio laboral, uma realidade que tem vindo a aumentar: de 16,5% (2021/22) passou para 20% (2023) e para 27,7% em 2024.

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O documento aponta para uma elevada frequência de exaustão e presença de sintomas de ‘burnout’ e solidão numa ”parte muito significativa” dos profissionais, o que, aliado à percentagem de vítimas de assédio laboral, leva os peritos a falarem num desgaste que não pode ser entendido como apenas individual.

É um “sinal de vulnerabilidade” das organizações, com impacto directo na saúde dos trabalhadores, no compromisso com o trabalho e na sustentabilidade das instituições, avisam.

Os resultados indicam que 77,4% dos participantes consideram que não têm uma remuneração justa pelo trabalho que desempenham e, da análise feita, os especialistas falam num “descompasso” entre exigência, reconhecimento e recompensa.

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A sobrecarga de trabalho continua a surgir como um problema relevante, apontando para a necessidade de mais recursos humanos e de uma distribuição mais justa das tarefas: “O respeito pelas pausas, descanso e recuperação dos trabalhadores é essencial para prevenir fadiga, desgaste físico e emocional”.

Os resultados permitem ainda identificar grupos que exigem maior atenção: as mulheres, os profissionais mais jovens, os profissionais com doença crónica e aqueles que apresentam burnout, solidão, infelicidade ou vivência de assédio laboral.

Mas o documento também mostra que existem factores de protecção: o formato híbrido de trabalho associa-se a melhores indicadores, enquanto o trabalho presencial surge ligado a piores resultados.

Quanto ao teletrabalho, a coordenadora do estudo alertou para o facto de “algumas empresas estarem a voltar atrás” e a exigir novamente o tempo totalmente presencial, “quando o modelo híbrido mostrou vantagens”.

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Os profissionais das duas gerações mais novas (geração Z e Y, até aos 30 anos de idade) são os que revelam menos envolvimento, mais riscos psicossociais relacionados com a saúde mental e mais solidão e a geração babyboomer (a partir dos 60 anos) é a que refere melhores indicadores de bem-estar, envolvimento e felicidade.

Os dados mostram ainda que os profissionais da geração Y (millenials, entre os 30 e 45 anos) revelam um maior risco ao nível da saúde mental e que é a geração babyboomer que manifesta mais factores protectores relacionados com o ambiente de trabalho saudável.

Apontam para “fragilidades significativas” nas dimensões “mais estruturantes” das organizações”, com menos de metade dos profissionais a reconhecerem que a organização se centra no bem-estar dos trabalhadores e apenas cerca de um terço a dizer que a liderança vê esse bem-estar como uma prioridade.

A isto acresce que são poucos os profissionais que consideram ter informação atempada sobre decisões importantes, assim como a percepção de justiça na resolução de conflitos.

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«Estes resultados sugerem que o mal-estar laboral não se explica apenas pela carga de trabalho, mas também por défices de confiança, previsibilidade, reconhecimento e participação», refere o relatório.

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