Mais de 30% das empresas portuguesas admite ter sido alvo de fraude no último ano

Human Resources com Lusa
5 de Novembro 2025 | 19:20

Quase um terço das empresas portuguesas admite ter sido alvo de fraude no último anosendo as tipologias mais prementes a fraude em meios de pagamento e a apropriação indevida de ativos. As conclusões são do recém lançado Corruption & Fraud Survey 2025 da Deloitte, que conclui que 28% das organizações reportam ter sofrido este tipo de incidentes.

Este ano, as principais tipologias de fraude ou infracções conexas identificadas são a fraude em meios de pagamento (45%), a apropriação indevida de activos (38%) e os ataques cibernéticos (34%).

A maioria das organizações inquiridas já dispõe de mecanismos de prevenção e detecção de fraude, mantendo-se a tendência verificada nos últimos anos de crescimento na adopção de canais e procedimentos de gestão e monitorização de denúncias, presentes em 91% das empresas (mais sete pontos percentuais do que em 2024). Segue-se a implementação de políticas de gestão de risco de fraude (57%) e a realização de avaliações periódicas de risco (50%).

De forma consistente, a maior parte das empresas já cumpre os requisitos do Regime Geral da Prevenção da Corrupção (RGPC), com destaque para o código de conduta (97%), canal de denúncias (95%), plano de prevenção de riscos de corrupção e infracções conexas (79%), programas de formação anticorrupção (72%) e relatórios de avaliação publicados nos sites institucionais (60%). Ainda assim, apenas 10% das organizações detêm a certificação ISO 37001, um sistema internacional que apoia as empresas na implementação de medidas de prevenção e combate ao suborno.

No que respeita ao uso de ferramentas tecnológicas para detecção de fraude, mais de três quartos das empresas (76%) ainda não recorrem a este tipo de soluções, sendo um dos principais motivos apontados o elevado investimento necessário (35%). Tendência oposta ao documentado pelo estudo 2024 AI, Fraud, and Financial Crime Survey da BioCatch, que afirma que 73% das organizações inquiridas globalmente estão actualmente a utilizar IA para a detecção de fraude verificando uma correlação directa com o aumento da velocidade com que apresentam respostas à fraude.

Continue a ler após a publicidade

Em Portugal, entre os inquiridos do Corruption & Fraud Survey, destacam-se as ferramentas de analytics baseadas em regras de deteção de padrões de fraude (22%) e as que combinam regras de negócio com modelos analíticos (17%).

A maioria das organizações inquiridas já dispõe de mecanismos de prevenção e deteção de fraude, mantendo-se a tendência verificada nos últimos anos de crescimento na adopção de canais e procedimentos de gestão e monitorização. De salientar que mais de metade dos inquiridos (56%) consideram que a ocorrência de eventos de fraude, independentemente da sua detecção, tem impacto directo na posição financeira das empresas, estimado entre 0,5% e 2% da receita.

O estudo indica ainda que perante cenários de possíveis eventos adversos, as organizações ainda estão a responder de forma sobretudo reactiva, reforçando controlos imediatos e específicos, como medidas adicionais em sistemas de contas a pagar ou controlos periódicos e formações, em detrimento de abordagens estruturais e preventivas que permitam repensar a gestão de riscos de forma mais abrangente.

Continue a ler após a publicidade

Neste sentido, quase três quartos das organizações inquiridas (em concreto, 72%) não estão dispostas a investir mais de 25 mil euros no próximo ano em ferramentas para detecção automática ou semiautomática de eventos de fraude e corrupção, e apenas 11% demonstram disponibilidade para realizar um investimento superior a 75 mil euros nestas tecnologias no próximo ano.

Partilhar


Mais Notícias